Frase FILOSÓFICA, verso,  ideia lógica ou não lógica,  imagem  COLORIDA OU NÃO,  de autor  "famoso",  "mundial" OU NÃO,  há que ser COMEDIDA, comentada, criticada, de novo pontuada, revista  ou emendada ... 

MUITO FALTOU E O QUE FALTOU MAIS NÃO PÔDE A FORÇA ARROSTAR COM OS SACRÍLEGOS  ...

 

Desapareço e dependo de ermos e remotos e agoras,  mansos tranquilos como o queixume ao vento 

quilómetros por metro quadrado tardes demoradamente em êxtase apelativo.

Não durmo porque não há sono, não sinto fome, porque não há fome, tudo tem um fim ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pela vida eterna o carvalho oferece e dá ramos de séculos raízes de séculos lenha para confortar a senhora que sabe que tudo lhe pertence por mérito seu por suas mãos e seus olhos nem só connosco não te entendes todos te temem e te fogem 

Bem o sabes !

 

Foi a mão sem anéis, antes da luva. Sorriso breve, antes do beijo lento. Foi a rosa, entreaberta antes da chuva. Foi a brisa, encontrada antes do vento. Foi a noite, a inocência na demora. Foi a manhã - verde janela aberta: Dois corpos lisos que se vão embora como a acordar a praia,  ainda deserta. Foi a paz, o silêncio antes do grito. Foi a nudez antes de ser brocado ... e foi, depois, o cântico interdito e todo o meu poema recusado ! (P. H. M.)

 

Abandonada dos fados e dos homens, Lisboa, seria uma cidade quase inteiramente insulsa e inestética, como nenhuma outra incolor e incaracterística, se não resgatasse estes defeitos, amplamente, a sua maravilhosa situação dominadora, e não a enriquecesse de pitoresco um rio como o Tejo, raro no mundo, de gradações infinitas de colorido, irreais como panoramas entrevistos em sonhos - azul profundo por vezes, anilado de outras, de outras azul-celeste, e ainda de outras cor de pérola, ou dum espantoso tom de ardósia, ou listrado de sulcos nacarados, quando não retalhado em faixas polícromas de encantador cambiante - rio largo e profundo como o mar, grandioso e evocativo, inconcebivelmente proteico e sempre belo ...  Nos dias mais luminosos, a Outra Banda é uma faixa de oiro em que rebrilha a neve e o cor de rosa da casaria apinhoada; e a toalha do Tejo, larga e calma, espelhenta e cristalina, parece fundir-se e embebedar-se toda num grande sorriso de luz. Rente às águas, numa diafaneidade azul lavada, a atmosfera estremece, vibra em clarões de reflexos luminosos. Diríeis talvez que sobre elas paira uma alma jocunda, e no entanto enternecida ... Ao encanto da paisagem vêm juntar-se ainda a sugestão do passado, que faz desse estuário o mais histórico de todo o planeta. Como que vemos e ouvimos ainda as armadas largar, a cruz de Cristo nas velas, as procissões de despedidas nos cais, as vozes dos que partem e dos que ficam, o velho do Restelo, o Tejo que sai do leito e alaga o Mundo ... (R. P)

 

 

 

 

Formoso Tejo,  rio meu tão diferente que és agora e vi e viste

o meu gosto de possuir, usar e abusar estende-se aos seres humanos,  

gostaria de ter tido escravos.

Monólogo de sentimentos, alma dos seus, o que lá puseram antes de mim ?  

no fundo teria gosto nisso ... !

Para lhes ensinar coros ... !

 

 

 

 

Camões, grande Camões, quão semelhante acho teu fado ao meu, quando os cotejo !

igual causa nos fez perdendo o Tejo arrastar co sacrílego gigante

Modelo meu tu és ... Mas, oh tristeza ! ... Se te imito nos transes da ventura

 não te imito nos dons da Natureza.

 

 

 

Cantando entre os dentes um refrão anidro abro linhas quentes com um escopro de vidro

Abro linhas quentes sem tremer a mão com um escopro de vidro de alta precisão (A. G.)

 

Cantei entre os dentes, uma desafinação,

com má música, mas tem lume e letra, 

um senão, não é treta,

foi escrita à mão com uma caneta ...

 

 

 

 

 

O mundo está de pernas para o ar desistiu da sua pose e sentou-se na beira da cama enlatando no pequeno espaço três homens três lugares um copo um encolher de ombros um tumulto mirou-se complacente num espelho hoje não é hoje bela de aventuras de decote roda ligeira um anel em prata gesto criador omnipotente figura de cera ...

Acham as datas as edições as procurações são parte atenta essencial como que tardia nos reconhece a nossa consciência e as nossas glórias ...

O conceito negativo não é tudo o conceito positivo não é tudo é uma elementariedade filosófica em que toda a realidade preexiste numa ideia em que só nos desenvolvemos segundo formas rigorosamente determinadas e constantes ...

A ideia do facto de formar ideias, de imagens concretas, vem pousar no néctar,  de que só o homem, é capaz de formar uma ideia de uma coisa, uma imagem ...

As aves constroem os seus ninhos, segundo uma variável arquitectura, que determina a sua espécie, e a sua afirmação no grau

da vida inteligente e assim se disse que Deus amou de tal maneira o mundo, que dotou todas as espécies vivas, na harmonia de uma graça habitual ...

E a quem muito recebeu muito será pedido que pague a arrogância o mal de que a abundância desfrutou.

 

 

 

Quando é que passará esta noite interna, o universo, e eu, a minha alma, terei o meu dia ? Quando é que despertarei de estar acordado? Não sei. O sol brilha alto, impossível de fitar. As estrelas pestanejam frio, impossíveis de contar. O coração pulsa alheio, impossível de escutar. Quando é que passará este drama sem teatro, ou este teatro sem drama, e recolherei a casa ? Onde ? Como ? Quando ? Gato que me fitas com olhos de vida, quem tens lá no fundo ? É esse ! É esse ! Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei; E então será dia. Sorri, dormindo minha alma ! Sorri minha alma: Será dia ! (F. P.)

 

 

 

 

 

Aux pieds des oranges rêveuse elle pleurait; le soi descendait calme et sombre; quand soudain, du fond d'un bosquet, un bel enfant sortit de l'ombre. il s'avance; la cloche a tinté l'Angelus. la nonne voit l'enfant, qui tendrement l'apaise. tu pleures ? lui dit'il tout bas, ne pleure plus. ton nom ? - thérèse de jésus - COURAGE ! et moi je suis le jésus de thérèse. (J. C.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No sentimento da atracção o que trai é a mensagem dos participantes nas noites por concluir foi breve e foi triste o nó empurrões como experiência fumarada mais ou menos deambulo o rigor pouco satisfeito e por favor tenteando outrora e presente gritando na cave outras desumanizações ...

O porteiro, espécie de urso, queimado, ensinado a abrir os olhos, um de cada vez, grunhia não é verdade ... ?

Murmura a jovem, murmura o pai, singelo, alcoólico, quando de outra vez viermos,  sabemos onde ir, é sempre em frente, apontando ao génio das armas, verdade o povo, verdade nós, na primeira vez e de relance, substância como a princípio, assexuada.

O interesse da "nossa" história não consiste, aliás, na descrição dos interiores, no seio da própria prisão, enrugados ...

 

 

 

 

Espreitando murmura baixo era uma vez uma outra vida reconhecida sem duvidar com nexo agrada exactamente romper do céu conquistou afinal o lugar o passo seguinte sem medo um olhar posicionado quando viu a Lua no rio espelhada a face vezes múltiplas a força a energia contida na insónia no cheiro lentamente adormecendo ...

Dizem que o céu é azul, que o sol é dourado, que o tempo é irreversível, que o mar nunca acaba, dizem que uma mulher é amada, que a morte é inevitável, que as verdades são sagradas, que as paixões são fatais e então ? ...

Sê virtudes superadas, os cães ganharam asas, semearam pássaros cantores,  o conflito não tem fim.

 

 

 

A calma necessária menos triste de quando em quando sem certezas o leito de malmequeres balança erguido descoberto ao vento provocante olhar disfarçando frescas cores entretanto tinha-se enchido meio salão desconhecidos, ignorados quem vive a vida a 100 % não se pode dar ao luxo de perder um segundo e o mundo é teu três ou quatro folhas de papel em branco ...

E fecho os olhos, a calma absoluta ...

O computador ensina-lhe o caminho: um mar de sangue ou uma taça de linfa, morrer sem ter amado, é natural ...

Esta é a entrada para a zona J (perigo). Estou a abandonar o reino da morte. Onde está o meu passaporte ?

Precisarei de visto ? Não tenho nada a declarar. Nada, nada, nada ... Os homens acampados, mas parece bonito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Call her moonchild

dancingin in the shallows of a river

lonely moonchild

dreaming in the shadow

of the willow.

Talking to the trees of the

cobweb strange

sleeping on the steps of a fountain

waving silver wands to the

night-birds song

waiting for the sun on the mountain.

She's a moonchild

gathering the flowers in a garden.

Lonely moonchild

drifting on the echoes of the hours.

Sailing on the wind

in a milk white gown

dropping circle stones on a sun dial

playing hide and seek

with the ghosts of dawn

waiting for a smile from a sun child. (K. C.)

 

 

O reino electrizado linhas cruza instantes sombras rastejam abusos por excessivo imposto o evidente vigiar de castelos dança policromática para além dos risos imagino esta gente, engolindo as suas doses,  tidos e distinguidos como os melhores, porque melhor as engolem ...

Todavia, perdeu, tentou, sugeriu, o futuro pode ser privilégio, não alongues os minutos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estava doente - doente de morte com aquela longa agonia; e quando finalmente eles me desataram e me deixaram sentar, percebi que os meus sentidos me abandonavam.

A sentença - a temida sentença de morte - foram as últimas palavras nítidas que chegaram aos meus ouvidos.

Depois disso o som das vozes inquisitoriais parecia emergido num zumbido sonolento e indefinido ...

A ideia veio furtivamente, com suavidade, e muito tempo pareceu decorrer até chegar a minha completa apreciação; mas por fim o meu espírito começou a senti-la e aceitá-la, as figuras dos juizes desapareceram da minha presença, como que por magia; as altas velas afundaram-se no nada; as suas chamas apagaram-se completamente; o negrume da escuridão dominou ...

O mundo sempre teve uma grande uma grande cidade, um lugar onde todas as raças e ocupações se encontram - um lugar rico e perigoso, onde os melhores homens e mulheres se tornam fabulosos e onde os piores vêm para os destronar. Primeiro a capital do mundo habitou Ur. Mil anos mais tarde essa posição foi ganha por Babilónia, a seguir por Atenas, durante pouco tempo, depois por Alexandria, seguidamente por Roma. Em Roma instalou-se e tornou-se lendária. Depois o local foi Constantinopla, e mais tarde Paris. Permaneceu em Paris 300 anos, até que, como todas antes dela, a Cidade Luz se tornou demasiado madura, demasiado perfeita, e as guerras e a sorte se transferiram para outros lugares ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mal o Sol desponta no horizonte, aos poucos, muito calmamente, a aldeia começa a acordar do seu torpor nocturno. Mais cedo no Verão, um pouco mais tarde no Inverno. Os Direitos Humanos são para ser copiados e a tampa mantém o recipiente sempre à temperatura correcta, suave, eficaz na protecção logo que um grande problema agita a consciência dos povos - a fome, a liberdade de pensamento, a utilização da energia atómica, a legitimidade da guerra - uma tomada de posição dos sábios mais ilustres ressoa pelo nosso mundo ...

 

 

 

 

Com pincéis e tintas e água construí fogos brancos, fulgores , diluí melodias, cedi a impulsos, desapareci ao acaso,  coloquiei de formas diferentes, caminhei buzinas e sirenes, cegos, todos cegos ...

Canto do agreste abraçamos a intranquilidade, a traição, a indiferença, a mão amiga não deixa de existir portas de saída ...

Então porquê  diz-me, assim se anima a noite, fala-me das esquinas, dos bêbedos nos cantos dos jardins, a fonte, a vida,  as prostitutas, então porquê diz-me, tudo  se apaga num momento ...

Fala-me dos dias também, que o negrume escureceu, fala-me da sorte, do azar e da certeza, fada que o lume da estrela adormeceu, fala-me de monstros e beleza ...

Ocultas as manhãs, ocultas as noites, por cada passo, longa caminhada ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Havia  a esperança de que, fosse ele o que fosse, não estremecesse as árvores ...

Cinco minutos feitos para o meu almoço, esperei pelos pardais, uma peça perfeita para o equipamento, um pão, uma cama e logo as nádegas, esperei que fosse um pássaro ...

Em cada dia faço um esforço, quase sustenho a respiração, como um por todos e todos por um ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levantei-me, embrulhei-me no cobertor, uma manta herdada do meu avô materno e com o cinto de cabedal, apertei-a o mais possível mas de maneira a ainda poder respirar e sentei-me à secretária. É claro que estava ainda muito escuro ...

Repeti sem cessar, vou acalmar e começar, mas quando já tinha dito isso pela centésima vez e simplesmente não conseguia deixar de o fazer, desisti. A minha tentativa fracassou. Ao amanhecer já não me era possível começar o trabalho. A luz do dia destruiu  definitivamente as minhas esperanças. Levantei-me e fugi da secretária ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O céu tinha começado a meio da manhã a perder a cor, ficara de um azul quase branco, e sujo, enquanto o ar deixava de se mover e a saliva nas bocas engrossava, as plantas criavam manchas amarelas, começavam a pender para o solo, havia folhas que secavam completamente.

A subida de temperatura fora muito brusca, quase imprevisível, ameaçava tornar os jardins em cemitérios. A corrida à água, à cerveja, aos gelados, às bebidas frescas, era geral, mas ninguém conseguia permanecer muito tempo nas esplanadas, o calor entrava pelos olhos, pelo nariz, ulcerava as peles untuosas; a polpa do meio-dia, a acobrear, estava em brasa, e, pouco a pouco, a cidade transmudava-se num deserto, de onde até se ia esvaindo a ilusão do mar, efeito sonoro do frenesim dos carros e das vozes perdidas do asfalto. (U. T. R.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de mergulhares na inconsciência

gostava que me desses outro beijo,

outra oportunidade fugaz de felicidade,

outro beijo, outro beijo.

Claros são os dias e cheios de mágoa.

Deixa-me envolver na tua chuva morna,

quando tu te foste, foi insuportável,

vamos ficar os dois, vamos ficar.

Diz-me onde encontrar a tua liberdade,

as ruas são campos que não morrem nunca

poupa-me às razões porque é preferível

tu chorares e eu fugir.

Começa o barco de cristal a encher-se,

mil raparigas, mil sobressaltos,

mil maneiras de passares o tempo;

quando regressarmos, eu escrevo a dizer. (J. M.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desejaria céus cinzentos onde a esperança se concentra, onde as árvores tremendo, estendem os seu braços de fada, sonhos caprichosos levados nas ervas beijadas pelo vento, desejaria sentir, entre as minhas coxas, o sopro imenso dos milhões de homens da terra, desejaria, olha, olha o que quero ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O oceano jade e ametista

Vazio e liso se não fosse a espuma,

Entre os sinais do tempo,

Violetas perdidas na torrente

E a lembrança de uma tela antiga

devastada.

Talvez tudo esteja certo quando nada resta.

Talvez tudo esteja certo

Quando o ouro velho envolve os meses mortos

 Como linho,

E o vento é frio

 Como um crisântemo caído,

Sob a chuva.

(M. A. N.)

 

Às vezes, eu dou o nome das pessoas neste livro, mas na maioria das vezes, não. Às vezes, as pessoas vão aparecer com os seus nomes num lugar, e em outros, não. Mas são todas (os) reais, e o que eu escrevo a respeito delas (deles) fez realmente parte da minha vida ...

Eu era pequena e magra, muito fechada em mim mesma, perdida em devaneios. Bons boletins e um tédio infinito. Os meus seios, às vezes, eram as luvas de minha mãe, enfiadas num "soutien" secreto, comprado com economias da mesada. Aulas de ginástica, às quais a maioria das meninas faltava, uma vez por mês, dizendo "a mesma razão de sempre", com um tom de voz casual, quando os seus nomes eram chamados ...

Nunca passei fome; só algumas vezes tive de contar o meu dinheiro para saber se podia comprar manteiga, em vez de margarina ...

Entretanto, precisamos de sentir e acreditar que somos tudo ...

O que é a mutação ?

Algo que acontece dentro de mim ? ou algo que experimento em outras pessoas ?

Para que me estou a esforçar ?

O que desejo realmente fazer com aquilo que alcancei ?

O que farei com a mutação ? (L. U.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A conservação da vida de um organismo implica condições favoráveis do ambiente, as quais permitem um complexo jogo de trocas com o meio,  jogo que deve fornecer os contributos indispensáveis de matérias e de energia, para compensar as perdas e os gastos, e que deve igualmente afastar e dissipar os resíduos de acção.

Certos parasitas encontram muito naturalmente preenchidas condições favoráveis, uma vez que atingiram o lugar que lhes convém no organismo parasitado ...

A maior parte dos animais, até mesmo todos, pelo menos numa fase da sua vida, possuem capacidades de deslocação que lhes permitem buscar as condições de meio favoráveis para eles e, muitas vezes, também para a sua ascendência ...

Mas encontrar um meio favorável do ponto de vista das condições de temperatura, de humidade e sobretudo, de oxigenação, não é suficiente ...

As necessidades alimentares exigem uma procura mais ou menos difícil do alimento que convém, muito frequentemente sob a forma de presas vivas ...

Para a perpetuação da espécie põe-se o problema, num grande número de casos, de assegurar a alimentação da descendência numa fase de desenvolvimento em que em que ela não se encontra ainda capaz de a procurar por si mesma.

Enfim, a contas com numerosos factores de destruição ...