A CHAVE
Se decifrar a chave
no atlas universal,
criarei a irreal sinfonia cósmica,
em acordes de órgão,
canção de cristal,
dança de cristal.
E a nuvem momentânea,
que me ensombrece,
o coro dos partidários abolicionistas,
da doutrina da paixão lancinante,
criadora das esferas onde gravito ?
Que se lixe !
360 graus em redor de mim,
só quero vinho e mel,
sempre.
Porquê, sempre
tantas objecções ?
Gosto do que me dá prazer:
o ar que não emudece,
o suspiro de alívio,
o degrau que me iça,
o problema resolvido,
os moles passatempos.
Meu mundo psíquico,
sem sentinelas,
fábrica do futuro,
real, sem freios.
Templo das pautas preciosas.
Minha fábrica, inventa-me.
Quero ser uma centelha de som,
um coro de vozes,
ecoando,
que se banham no mar quente.
Inventa-me, canção doce
dos homens e das mulheres felizes.
Quero ser como tu.