A LÍNGUA NOVA

 

Teu corpo rasgado em vivas arestas

quis criar palavras gastas

que já haviam sido sentidas

quis gritar e não pôde

porque eram palavras vãs

maquilhadas, aburguesadas

porque eram bandeiras esfarrapadas

vomitando a meia-haste

o símbolo da podridão.

Apenas teu sorriso indelével ficou

tentando ressurgir num corpo decadente

a imagem última de um ventre de mãe.