ANSIEDADE
Dias longos,
noites longas.
Exigente sou,
severo cliente,
de quotidiano em quotidiano.
Jogo com resmas de livros,
amontoando ideias,
pensamentos, que vão e vêm.
Os sonhos dos meus olhos,
de intenso brilho,
desertam pela janela do meu quarto.
As gaivotas voam,
flutuam no ar,
durante as tardes,
marcando a atmosfera
e a toada do tempo preguiçoso.
Em segredo, voo com elas,
perdido em acrobacias perigosas.
As frases são um novelo de lã,
com que o cão brinca.
Eu, num marasmo.
Capa, contra-capa,
título, autor,
data, editor.
É isto ...
Quanto dura ?
Quem sabe ?
Ainda um dia, revolverei o chão,
para tocar o centro da Terra,
que lá moram grandes segredos,
apenas por teimosia e indiscrição.
Galgo os meus pensamentos,
sem falsas obrigações ou
explicações supérfluas.
Redigo uma súplica,
pedindo uma graça.
Tudo é suposto ser inquietante.