Aventureiros, exploradores, políticos, heróis, bandidos, edificaram os Estados Unidos da América do Norte.

Povoaram e comandaram os nossos sonhos e expedições de adolescentes, com sagas de índios, cowboys, pistoleiros.

Estrada que é percorrida de Leste a Oeste, desde o Maine até Seattle, os EUA são hoje o resultado dessa mistura de povos e raças que, autóctones e vindos de tantos Continentes  fundaram o Novo Mundo.

 

 

 

GEORGE E JOHN WASHINGTON

"Eu não pertenço a uma família ilustre, pertenço a uma família que gerou um homem ilustre", diz John Augustin Washington, 80 anos, profissional do ramo do imobiliário, com escritório a poucos passos da Casa Branca. O descendente de George Washington é um venerador da memória do seu antepassado: "Não há um único lugar neste país onde eu não me sinta em casa". George Washington guiou o seu país rumo à Independência e foi eleito primeiro Presidente dos Estados Unidos, tendo cumprido 2 mandatos. A sua presidência foi absolutamente notável: organizou uma administração nacional para os 13 Estados fundadores da União, definiu uma política fiscal responsável que permitiu a criação de um clima de confiança e estabilidade e, com muita habilidade, soube contornar os possíveis efeitos da Revolução Francesa na nova república. Morreu em 1799, depois de ter recusado um 3º mandato.

 

 

 

 

WILLIAM E BENJAMIN BREWSTER

"Sou descendente directo de William Brewster, sou um neto de nona ou décima geração, para dizer a verdade, não sei bem ... ". Benjamin Brewster, operário metalúrgico, descende de facto, em linha directa, de William Brewster, erudito e chefe religioso da comunidade de peregrinos que partiram de Inglaterra, a bordo do Mayflower, à procura, no Novo Mundo, da liberdade de culto negada na terra onde nasceram. Sobre a viagem do Mayflower, nos primórdios do século XVII, Benjamin diz saber "pouco". Mas em Plymouth, no Massachusetts, onde vive e trabalha, a epopeia de William Brewster é levada muito a sério por toda a população. E por Benjamin Brewster também: "Participo nas actividades da Sociedade dos Descendentes do Mayflower e faço parte do projecto que pretende reconstruir o barco que trouxe o meu tetratetravô até à América".

 

 

 

 

ABRAHAM LINCOLN E SUSAN BROWN LINCOLN

"Não tenho uma vida muito excitante, conduzo um autocarro escolar há 19 anos, tomo conta dos miúdos e não ando para aí a dizer que sou as família de Abraham Lincoln. O meu parentesco com o Presidente é já coisa muito longínqua e em nada modificou a monotonia da minha vida". Assim fala Susan Brown Lincoln, uma plácida mulher de 51 anos, que sabe "muito pouco" sobre a vida e a obra do seu ilustre antepassado. E que se mostra mesmo incomodada quando lhe fazem perguntas sobre os feitos ou os discursos de Lincoln: "Recusei sempre fazer parte de qualquer sociedade ou clube de descendentes, já tenho muito trabalho com os meus miúdos", repete com insistência. Susan sabe pouco sobre Abraham mas ainda hoje, em qualquer sondagem nacional nos EUA, o nome de Lincoln surge sempre em primeiro quando se pergunta: qual foi o Presidente que mais marcou a história e a evolução dos Estados Unidos da América ?

Abraham Lincoln, à partida, tinha tudo contra si: de origens humildes, foi um autodidacta que começou por ganhar a vida como piloto de ferryboat, empregado dos correios, empregado de balcão e, finalmente, advogado. A sua ascensão para a Presidência dos EUA foi lenta mas segura: "o homem certo, no lugar certo", um visionário com uma reputação de intransigente mas com um sentido de humor "camponês" que fazia as delícias dos seus correlegionários. Figura central do movimento abolicionista nos EUA e figura decisiva no período da Guerra Civil, Lincoln é o pai da grande América do Estados, nascida de um banho de sangue fratricida. Foi assassinado em Abril de 1865.

 

 

 

KIT E JOHN CARSON

Christopher Kit Carson foi um dos pais do Novo México anglo-americano. Começou a sua carreira solitária como caçador nas montanhas, depois foi batedor do Exército e acabou a sua carreira militar como oficial da União. Fixou-se na cidade de Taos, casou com uma mexicana e defendeu sempre, como cidadão, a miscigenação das 3 culturas do seu Estado: a cultura mexicana, a índia e a inglesa. Morreu em 1868, com 59 anos de idade.

John Carson tem 44 anos, é professor de História do Oeste Americano numa pequena escola de La Junta, no Colorado. E é bisneto de Kit Carson. "Só falo do meu antepassado nas aulas quando os meus alunos me pedem. E, então, nunca mais me calo". John é um grande defensor da imagem do seu bisavô: "Tenho orgulho em ter o mesmo sangue a correr-me nas veias, sei que Kit Carson fez algumas maldades aos índios, mas temos de considerar as circunstâncias históricas em que viveu".

 

 

 

 

ULYSSES S. GRANT E ULISSES GRANT DIETZ

Ulysses Grant tem 45 anos, é conservador do museu de Arte Moderna de Newark e é trisneto do 18º Presidente dos Estados Unidos, de quem gosta de traçar um retrato diferente daquele que é dado pela História: "O meu antepassado era um homem que adorava a família e, embora fosse um grande soldado, detestava a guerra. Foi um homem admirável, admiro-lhe a coragem de, no final da sua vida e a morrer de um cancro, ter conseguido escrever as suas memórias e publicá-las em livro só com o objectivo de salvar a sua família da ruína". O general Ulysses S. Grant foi o chefe das forças vitoriosas do Norte na Guerra Civil norte-americana, mas a sua mestria no campos de batalha não teve correspondência quando trocou os cavalos pela política. Eleito Presidente dos EUA, inocente, ingénuo e sincero, cedo viu o seu mandato arruinado por escândalos e corrupção.

 

 

 

ROBERT E. LEE E DAVID HALLE

"Guardar viva a sua memória e intacta a sua reputação é o que eu pretendo", diz David P. Halle, 46 anos, genealogista e membro da Sociedade dos Lees da Virginia, sobre Robert E. Lee, o herói do Sul, glorioso até na derrota que assumiu perante o general Ulysses S. Grant. "Robert E. Lee ficou conhecido pela sua generosidade; quando a guerra terminou, manteve relações da maior intimidade com Grant, que morreu de cancro e na pobreza e, na minha opinião, é Robert E. Lee que simboliza a ideia de Confederação para todos os norte-americanos, porque ele, melhor do que ninguém, soube encarnar o espirito galante de todas as causas perdidas", afirma o descendente do general que se fez herói em 1859 ao capturar o abolicionista John Brown, que pretendia desencadear a revolta de escravos. Com a Guerra Civil, torna-se numa lenda e à batalha em defesa de Richmond segue-se um ano de vitórias até ao fatídico Julho de 1863 e ao dia da batalha de Gettysburg, na Pennsylvania, em que o exército de Grant destroçaria as esperanças sulistas. Lee rendeu-se a Grant em Appomatox e morreu em 1870.

 

 

 

BUFFALO BILL E WILLIAM GARLOW CODY

William Garlow Cody gosta que lhe digam como é parecido com o seu avô. O neto de Buffalo Bill vive em Cody – cidade fundada pelo seu célebre antepassado – e é o animador da estação de rádio local. Dirige ainda um motel e um palco de rodeos. O seu avô nasceu em 1846 e foi baptizado William F. Cody mas, ainda hoje, toda a gente o conhece pelo nome de Buffalo Bill. Raramente se viu vida mais tumultuosa no tumultuoso Oeste: Aos 15 anos, era cavaleiro do Pony Express; depois de 18 meses na Cavalaria do Exército da União, é-lhe proposto um negócio fabuloso: 500 dólares por mês para fornecer de carne de búfalo os operários que trabalhavam na via férrea que ligaria a Costa Leste ao Pacífico. Buffalo Bill reformou-se em Novembro de 1872 mas não dedicou o seu tempo a descansar. De Inverno, montava e fazia digressões com espectáculos melodramáticos, que tinham sempre por pano de fundo o Oeste selvagem; de Verão, organizava e constituia-se como guia de grandes caçadas na planície. Em 1882, organizou um rodeo que fez um tal sucesso que se decidiu a criar "uma exposição ambulante de rituais de fronteira". Foi o lançamento do célebre Wild West Show, que deu emprego a muitas lendas do Oeste em fim de carreira, como o chefe Sioux Sitting Bull ou Calamity Jane.

Buffalo Bill morreu em 1917.

 

 

 

 

SITTING BULL E ISAAC DOG EAGLE

"Quando eu era novo, adoptei o modo de vida dos brancos; ia dançar e beber aos fins-de-semana, e ceava nas noites de Natal, até que percebi que não tinha nada a ver com estas coisas", diz Isaac Dog Eagle, Jone Buffalo para os amigos, bisneto de Sitting Bull, o grande chefe Sioux Sitting Bull, figura mítica da resistência índia à conquista do Oeste pelos colonos norte-americanos na segunda metade do século XIX.

Isaac tem 61 anos e é o juiz da reserva de Standing Rock, no Dakota do Sul, não muito longe do sítio onde o seu bisavô foi abatido pelos brancos. Isaac agita o nome do seu antepassado como uma bandeira porque ainda acredita que é possível a luta "pela recuperação das terras e pelo direito a uma verdadeira autonomia económica e política".

 

 

 

 

DAVID E JERRY CROCKETT

Jerry Crockett tem 59 anos e vive em San Antonio, no Texas. A sua profissão é de Conselheiro de Investimentos Financeiros. O apelido herdou-o de um dos irmãos de David Crockett, o pioneiro americano que morreu no massacre de Forte de El Alamo, em Março de 1836. "Quando eu era miúdo, brincava como todos os outros miúdos com chapéus de pele de castor, mas não fazia ideia de que David Crockett era um antepassado meu. Só mais tarde descobri a ligação e fiquei naturalmente, curioso sobre as minhas origens. Só obtive a prova de parentesco em 1981; depois, li tudo o que havia sobre David Crockett e gostaria de ter tempo para escrever um livro sobre a sua carreira política". De origens humildes, David Crockett começou por se notabilizar como caçador de ursos nas florestas do Tennessee. Em 1913, depois do massacre de 500 pioneiros pelos índios Creek em Fort Mims, no Alabama, David Crockett alistou-se numa milícia popular de combate aos índios. Terminada a sua comissão, casou-se e estabeleceu-se em Shoal Creek, onde iniciou a sua carreira política. Em 1821, depois de sucessivas vitórias eleitorais, chegou a Washington. Como membro do Congresso, ninguém o levou muito a sério e o "caçador de ursos", desiludido com o cinismo da vida política, regressou à acção. Escolheu o Texas, em guerra com o México. E encontrou a morte em El Alamo, onde comandou até à morte 188 voluntários texanos num combate desigual contra 4 mil soldados mexicanos. E foi assim que entrou na lenda.

 

 

 

 

OS DALTON E LARRY DALTON

Larry Allen Dalton é o único descendente vivo dos irmãos Frank, Grat, Bob, Bill e Emmett Dalton, o mais célebre bando de foras-da lei do velho Oeste. Em 5 de Outubro de 1992, a pacata cidade de Coffeyville, no Kansas, comemorou o primeiro centenário do último assalto dos irmãos Dalton, que se celebrizaram a assaltar comboios, com êxito, mas que falharam rotundamente na tentativa de assalto ao banco de Coffeyville. Foi o fim dos Dalton, abatidos a tiro nas ruas da pequena cidade do Kansas. Larry Allen Dalton conhece bem todas estas histórias e fez a sua opção de vida bem cedo: Quando regressou da guerra no Vietname, alistou-se na polícia e, hoje, é detective privado em Russelville, no Arkansas.

 

 

 

THEODORE E TWEED ROOSEVELT

"Passei 10 anos a estudar a vida do meu avô. Gostaria de ter as suas capacidades", diz Tweed Roosevelt, 59 anos, economista em Lexington, no Massachusetts, neto de Theodore Roosevelt, 26º Presidente do EUA, entre 1901 e 1909. Roosevelt foi o Presidente mais "dinâmico" da história da Casa Branca e a sua vida teve feitos dispares e aventurosos: começou por ser um naturalista amador que se orgulhava de ler 1 livro por dia; foi eleito Presidente aos 42 anos e conseguia combinar um sotaque de Harvard com a rudeza de linguagem de um cowboy do Dakota; escolheu como inimigos pessoais as fraquezas humanas e a corrupção, e não lhes deu tréguas enquanto foi vivo; expansionista no que diz respeito à política externa, tomou conta do Canal do Panamá e vigiou de perto a sua construção; os seus esforços para pôr fim à guerra Russo-Japonesa valeram-lhe um Prémio Nobel da Paz; negociador, soldado, caçador, historiador, homem de Estado de ideias progressistas e, também explorador. Ficou célebre a viagem que conduziu, em 1914, na Amazónia.

 

 

 

AL E SIHAM CAPONE

"Quando entro num banco e digo como me chamo, as pessoas primeiro ficam com medo, depois julgam que é uma brincadeira. Que culpa é que eu tenho de me chamar Siham Capone ?" De 46 anos, mãe de uma filha com 18, Siham é sobrinha-neta de Al Capone e vive em Carpentras, no Sul de França. Não tem prazer especial no apelido que usa: "Nunca conheci o meu avô, que era um dos 3 irmãos de Al Capone. Desapareceu misteriosamente, mas o meu pai contou-me algumas histórias rocambolescas deste meu avô. Sobre Al Capone, sei que fez muito mal a muita gente, mas era a vida dele e eu não tenho nada a ver com isso".