DISSOCIAÇÃO
Teço despertadores em plástico,
empacoto campos de gelo.
Retomo uma personalidade vegetal,
numa fase perversa, pessimista.
A tradição portátil,
é um guarda-redes fantástico,
solfejo de topázio.
Ando à boleia.
Entrevisto-me com um orgasmo
de veludo salgado.
Dissocio partilhas, de segregação.
O filho do carpinteiro, joga ténis de mesa,
com tiques de temperamento terrorista.
Não sou derrotista no capítulo do turismo.
Tolero o som da argila e
adoro torta de uva.
Meio amarga, meio ambígua,
é a ameaça,
alojada no compromisso da função,
sem comentário,
da conspiração do comediante,
ou o paradoxo,
entre paraíso e chapéu de chuva,
entre paralítico e parasita.
Passivamente, na alameda,
tresandando a empada fresca,
afinam excertos subversivos:
um padre, um pastor, um palhaço,
um peão, um pedaço e um pediatra.
Censuro tudo, com alguma naturalidade,
em modéstia.