O JORNALISMO CONTEMPORÂNEO
Polemista temido, prestigioso aventureiro ou diletante da caneta até uma época recente, o jornalista é hoje, mais prosaicamente, um técnico de informação. Por certo, os períodos de crise trazem-no para as luzes da ribalta e particularmente para o banco dos acusados, perante tribunais de excepção; por certo o vedetismo instituído pela televisão dá a alguns a notoriedade nacional que ultrapassa de longe as audiências do passado; isso, porém, não obsta de forma alguma a que um tecnicismo crescente e uma especialização séria sejam as presentes características da profissão. Pode-se-lhes juntar um determinado brio – aliás, muito apreciado - mas que tem cada vez menos importância em relação a uma competência profissional que se transformou em critério de admissão.
Poucas profissões sofreram tantas alterações em tão curto espaço de tempo, e a perda de influência dos editorialistas – mais exactamente, dos editorialistas comprometidos – tende a transformar a imprensa, sobretudo a diária, na comunicação de menos ideias e mais factos.
Privado de certas notícias pelo seu diário habitual, o leitor muda de jornal; descontente com os noticiários de uma estação de televisão, o ouvinte muda para outra.
Frente à imprensa monopolizada vai desaparecendo a liberdade de escolha.
Enfim, chamado a tomar por vezes decisões pela via do referendo, chamado com maior frequência, embora sem o saber, a influir nas decisões do poder, através dessas consultas populares secretas, que são as sondagens, o cidadão deve, evidentemente, ser informado tão completamente quanto possível.
O jornalista é "o que consagra a maior parte da sua actividade ao exercício do jornalismo e dele tira a maior parte dos seus proventos".
A actividade jornalística consiste, assim, em transformar os acontecimentos, ou simples informações, em notícias.
O interesse do acontecimento está ligado à atitude que o mesmo terá no público – um certo público -. O inquérito sobre um problema importante ou a grande reportagem, são-nos impostos pela actualidade.
Escolhe-se de preferência a altura do Natal, da Páscoa, de eleições ou de uma reforma importante, para estudar as causas dos desastres de viação ou uma reportagem de conjunto do país.
O traço característico destes assuntos é que a sua ausência não é de censurar; são úteis.
Á sua quantidade, qualidade e grau de adaptação ao interesse do público, compete evocar, da maneira possível, os grandes problemas sociais, políticos, culturais do ano, do mês ou da semana.
Deveremos abordar, também outros aspectos do jornalismo: as crónicas especializadas, as particularidades dos semanários de todos os tipos, a imprensa de sensação (centos de sensações diárias).
Quanto aos jornalistas, a evolução implica o desaparecimento do "faz-tudo", genial ou não.
O futuro pertence, sem dúvida, aos altamente especializados e que no "domínio" da actividade humana que lhes está confiado, aliam a qualificação a um conhecimento perfeito das técnicas de comunicação.