O LOBBY E OS ANOS 90
A palavra inglesa lobby está na base de todo um léxico em torno da actividade de influenciar o poder político. Significa vestíbulo no original: Em Inglaterra, na Câmara dos Comuns, a palavra identifica uma sala grande onde os parlamentares britânicos podem ter encontros com os seus eleitores. Nesse local tenta-se influenciar a votação dos deputados a favor dos seus constituintes. Este contacto, tradicional nas democracias parlamentares, faz parte do ritual das instituições.
Em Portugal, no entanto, a cultura da relação entre governantes e governados é bem diferente, e a actividade do lobbying, pode ser confundida fácilmente com o tráfico de interesses, rodeado, como é evidente, de uma certa discrição e mesmo secretismo.
As classes dirigentes não contactam fácilmente com a população e os grupos ou cidadãos são filtrados de uma forma que não leva sempre em consideração os seus argumentos específicos ou o interesse geral.
Na Comunidade Europeia coexistem os níveis nacional, regional e a múltipla dimensão sectorial dos interesses. A interacção complexa desta variedade confere ao lobbying uma importância decisiva no que diz respeito à harmonização de todas estas contradições. Fala-se na existência oficial de centenas de organizações em Bruxelas e entre dois mil e quatro mil lobbies mais ou menos eficazes.