ROTEIROS DE PORTUGAL – O BALONISMO

Menos de cem anos antes de Armstrong assombrar o Mundo deixando a primeira pegada do Homem na Lua, no dia 5 de Julho de 1783, os irmãos Montgolfier assombraram a França elevando um enorme globo de ar quente por cima das cabeças dos anónimos espectadores.

O Homem era capaz de voar.

Acorrendo aos princípios que governam a densidade dos corpos, e devido ao facto de o ar quente ser mais leve do que o ar frio, os irmãos Montgolfier conquistaram uma nova dimensão para a Humanidade, conseguindo deslocar na vertical, embora ao capricho dos ventos, a primeira nave aeroestática.

O voo em balão beneficiou desde então dos avanços científicos na combustão de gases e da aerodinâmica, entre outros, mas essencialmente continuou baseando-se na temperatura do ar e a solta de lastro, normalmente sacos de areia. Quem define a direcção a tomar é o vento. O piloto apenas escolhe as correntes de ar nas diferentes altitudes em que coloca o balão, podendo voar, desde rente ao solo, até aos limites da atmosfera.

A literatura e o uso militar, como pontos privilegiados de observação, celebrizaram os balões aeroestáticos.

Hoje, é precisamente esta qualidade de excelente miradouro ao suave balanço do vento, num silêncio quase absoluto, que mantém os balões a voar.

Imagine-se completamente nas nuvens, a sobrevoar searas, castelos medievais, aldeias e bosques, e sempre gozando de um tempo magnífico.

O Balonismo precisa de condições atmosféricas precisas: ventos ligeiros, ausência de chuvas e boa visibilidade.

Com o vento ideal de 12 nós, o balão alcança uma velocidade de 24 Km/h.

Existem duas modalidades de voo: os voos cativos, ligado o balão à terra por um cabo, e o voo livre, no qual o piloto busca a diferentes altitudes as correntes de ar mais oportunas.

A autonomia de um voo é de duas horas e meia, já que um balão leva normalmente 80 Kg de gás e consome cerca de 25 a 30 Kg por hora.

Várias empresas podem oferecer uma experiência incrível a bordo destes românticos engenhos.

As sugestões são numerosas.

Encontrará Sites acerca desta matéria, pesquisando, precisamente, sobre Balonismo (a INATEL, a Arrábida Aventuras).

Descubra desde os céus, a beleza do Parque Natural da Peneda-Gerês, sobrevoe as gargantas do rio Águeda ou as aldeias históricas mais bem conservadas de Portugal, conheça de uma maneira completamente diferente o Ribatejo, o Alentejo ou os arrozais e bosques do estuário do Sado.

Em definitivo, tem um país inteiro por explorar, que certamente nunca observou desta forma.

ROTEIROS DE PORTUGAL – PARQUE NATURAL DE SINTRA-CASCAIS

O Parque Natural de Sintra-Cascais caracteriza-se pela sua enorme variedade geológica, faunística e florística, sendo uma região de micro-clima inserida num contexto urbanístico complexo. O seu ex-libris é, indubitavelmente, a serra de Sintra, que há séculos atrai a imaginação e a cobiça de portugueses e estrangeiros, que aí construíram palácios e ergueram jardins. As encostas da serra exibem, para além de uma enorme profusão de flora endémica, alguns dos mais representativos e antigos expoentes da arquitectura paisagística europeia, nomeadamente inglesa, aqui representada pelos jardins vitorianos criados por Francis Cook no Parque de Monserrate.

O Parque Natural Sintra-Cascais abrange uma área de 14.451 hectares e a sua área protegida reparte-se pelo concelho de Cascais e pelo concelho de Sintra.

Paisagísticamente, o Parque Natural de Sintra-Cascais apresenta desde os sistemas dunares da zona do Guincho, à entrada da serra, até às escarpas rochosas cobertas de vegetação que caracterizam a serra de Sintra, passando por zonas rurais do planalto, tradicionalmente aproveitadas para a agricultura saloia. Estas formações geológicas têm uma variação de altitude pouco representativa, que não ultrapassa os 528 metros acima do nível do mar.

A flora característica do Parque Nacional de Sintra-Cascais é representada maioritariamente por espécies mediterrânicas e inclui quase 10 por cento de espécies endémicas, algumas classificadas como muito raras, gozando de estatuto de protecção a nível comunitário.

A sua acessibilidade pode ser muito fácil, a impossível. Nalguns locais da serra de Sintra a densidade de vegetação é tal que impossibilita a sua penetração; esta inacessibilidade encontra reflexo nas encostas da serra voltadas ao Atlântico, tipicamente escarpadas e inacessíveis, que protegem algumas das praias mais conhecidas da região.

O Parque Natural de Sintra-Cascais encontra-se situado em uma zona de grande pressão urbanística, com Cascais e Sintra, respectivamente à sua porta e nele integrados.

O estatuto de área protegida, que remonta apenas a 1981, é obviamente muito posterior aos primeiros esforços de ocupação urbanística das florestas da serra que, nalgumas zonas, se encontra verdadeiramente dividida em quintas com grandes solares. Essa longa tradição tem levado a que algumas zonas do Parque sejam ciclicamente alvo de tentativas de urbanização, problema que, aliás, tem merecido grande atenção do público e dos meios de informação.

A maior riqueza ambiental do Parque Natural de Sintra-Cascais reside na sua enorme diversidade de vegetação. Nas zonas costeiras, esta é caracteristicamente composta por arbustos, como sejam o carrasco e o medronheiro. Os carvalhos abundam por todo o Parque, e os pinhais existentes na serra de Sintra – principalmente de pinheiro bravo – são resultantes de esforços de reflorestação com idades variáveis; destes, o Pinhal da Quinta da Marinha constitui um dos exemplos mais representativos.

A diversidade e abundância de vegetação importada na serra de Sintra, tem criado alguns problemas ecológicos. Algumas destas plantas, de desenvolvimento muito rápido, impedem a coabitação de outras espécies, pelo que acabam por colocar em risco muitas das espécies vegetais endémicas. Entre as espécies agressivas que ocuparam a região incluem-se a acácia nas zonas arborizadas e o chorão, que reveste grandes áreas das arribas e das zonas arenosas.

A introdução do eucalipto, também decorrente de esforços de reflorestação, veio provocar uma inequívoca degradação do solo, e impedir a formação do sub-bosque, tão característico da serra e necessário para a retenção de água e solos.

No Parque Natural de Sintra-Cascais podemos encontrar uma vasta diversidade de fauna, da qual se destacam espécies consideradas raras, nomeadamente o ouriço-cacheiro, o morcego-orelhudo, o toirão e a fuínha, espécies com estatuto especial de protecção, nomeadamente o morcego-de-ferradura-mediterrânico e o morcego-de-ferradura-pequeno e as consideradas em vias de extinção, como sejam a lebre, a lontra e o gato bravo.

Embora a serra de Sintra proporcione um excelente refúgio natural que convida à protecção, a pressão urbanística e populacional dificulta grandemente os esforços de preservação, principalmente de espécies animais carnívoras como o toirão, a fuínha, o gato bravo ou a lontra, ou das espécies tradicionalmente apetecíveis para a caça, como seja o caso da lebre.

Na zona que abrange actualmente o Parque Natural de Sintra-Cascais, existem vestígios de ocupação humana do período Paleolítico e acumulam-se sinais de ocupação posterior, nomeadamente de romanos, visigodos e árabes, que deixaram profundos sinais tanto arquitectónicos como genéticos.

As estruturas rurais características da zona, como sejam o Casal Saloio e os sistemas de moagem tradicional – com moinhos e azenhas – são heranças culturais desta diversidade de influências históricas. Esta arquitectura popular vê-se representada por elementos típicos de uma economia rural e de subsistência. O Casal Saloio, por exemplo, é tradicionalmente constituído por uma casa de habitação principal, rodeada de anexos destinados à lavoura, aos estábulos, aos currais, adegas, fornos e lagares. Os moinhos de vento aqui encontrados, característicos de toda a região da Estremadura, são ainda fáceis de encontrar nos topos das colinas a norte de Sintra e, tal como as azenhas, têm vindo a ser recuperados e transformados em habitações permanentes ou de férias; é ainda, contudo, possível encontrar alguns moinhos abandonados, a pedir urgentes obras de recuperação.

Por outro lado, a partir do século XIX, Sintra tornou-se local preferido da nobreza portuguesa e mesmo, nalguns casos, europeia, que aí fez erigir palácios circundados por grandes quintas que viram a sua vertente agrícola convertida em espaços de lazer. Esta região é também imensamente rica em arquitectura religiosa, decorrente da devoção popular e do seu "casamento" com a devoção erudita, aqui representada por conventos e por capelas e igrejas erigidas pela nobreza; no concelho de Cascais as capelas e ermidas encontram-se, em contrapartida, associadas às edificações militares que se espalham pelo litoral até Lisboa.

A 6 de Dezembro de 1995, Sintra foi incluída na Lista de Sítios do Património Mundial, sendo caracterizada como Paisagem Cultural, o que reforçou ainda mais a estreita relação entre a natureza desta região e os sinais culturais deixados pelas várias civilizações que a ocuparam. O Parque Natural de Sintra-Cascais é, efectivamente, um daqueles poucos exemplos em que se torna impossível dissociar o valor da ocupação humana do valor intrínseco do meio ambiente, sendo que a experiência da sua visita se enriquece mutuamente com ambas as vertentes.

ROTEIROS DE PORTUGAL – CASTELO DE ALMOUROL (VILA NOVA DA BARQUINHA)

Edificado numa pequena ilhota rochosa no meio do Tejo, perto da sua confluência com o rio Zêzere e a meio caminho entre as vilas de Barquinha e Constância, o Castelo de Almourol é uma das mais evocadoras e românticas construções portuguesas.

Elevando-se sobre um afloramento granítico a 40 metros de altitude, as primeiras pedras dum primitivo castro lusitano foram colocadas no século II A.C.

Este posto defensivo terá sido conquistado pelos romanos durante os primeiros compassos da ocupação da Península Ibérica.

Depois dos romanos, o bastião foi ocupado por alanos, visigodos e mouros. Foram precisamente estes últimos quem deram o nome à fortaleza pelo qual hoje a conhecemos. Almourol advém da palavra árabe "Almorolan", que significa pedra alta. Foi conquistado para a cristandade em 1129, durante o reinado de D. Afonso Henriques, e doado a Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, encarregue da defesa da zona do Tejo. Reedificado entre 1160 e 1171, terá sido restaurado por várias vezes nos reinados seguintes.

Até 1311 esteve na posse dos Templários, constituindo então um ponto vital de comunicação das províncias do Norte e do Alentejo, com a capital, nomeadamente ao nível comercial. Sofreu alterações no século XIX, bem como restauros e consolidações entre 1939 e 1996, sendo a rede eléctrica instalada, finalmente, em 1955.

Adaptada a sua planta às formas irregulares do maciço granítico, trata-se de um exemplo notável de arquitectura militar medieval, mostrando 310 metros de comprimento máximo, 75 de largura e 18 metros de altura acima das escarpas rochosas. O seu interior está dividido em 2 recintos: um voltado a montante (com a Porta da Traição e muralhas com 9 torres circulares, esguias e altas); e, no interior, num plano mais elevado rodeado por panos de muralhas, a Torre de Menagem, de 3 pisos, da qual restam as sapatas onde assentavam as vigas. Possui ainda diversas portas de cantaria que comunicam com as diferentes partes do castelo e inúmeras escadas pelas quais se acede ao adarve, apoiado em cachorros.

Sobre a janela aberta da Torre de Menagem assenta a cruz característica dos Templários. No terraço, a vista sobre a paisagem é magnífica e vai muito além das margens do rio. Actualmente, costumam relacionar-se com este castelo um vasto número de lendas românticas criadas pelo devaneio popular, visto que em matéria de memórias históricas o Castelo de Almourol não é assim tão rico. Geralmente envolto por brumas matinais ou densos nevoeiros nocturnos, suscita na imaginação do visitante lendas amorosas de princesas encantadas, príncipes mouros e cavaleiros cristãos.

Certa é a presença romana neste local, tal como comprovam as moedas, inscrições nas pedras e restos de alicerces encontrados durante escavações efectuadas no interior e exterior das muralhas. Do período medieval foram encontradas medalhas e 2 colunetes de mármore, entre outros achados.

ROTEIROS DE PORTUGAL – FAROL DO CABO DA ROCA (SINTRA)

Este é um dos mais deslumbrantes faróis portugueses, não tanto pela sua arquitectura, mas sim pelo local onde foi edificado. Aqui é o ponto mais ocidental da Europa Continental, onde, como escreveu Luis de Camões, "a terra acaba e o mar começa". É aqui que morre a Serra de Sintra, com o seu arvoredo encantador, conhecida pelos antigos como "Monte da Lua". É por isso que o Cabo da Roca é também conhecido pelo Promontório da Lua.

Edificado em 1772, após ter sido dada ordem de construção em 1758, pertence à primeira geração de faróis mandados edificar pelo Estado, a fim de proteger os marinheiros. O corte que o Cabo da Roca faz pelo mar dentro, imponente, com as suas rochas afiadas escondidas pelo azul profundo do mar, bem como as marés, eram um perigo constante à navegação. Conta-se que Cristóvão Colombo, que parou em primeiro lugar em Portugal após a descoberta da América, ao serviço dos reis espanhóis, quase naufragou aqui, em Março de 1493.

O farol situa-se a uma grande altitude, de cerca de 165 metros, dos quais 140 são devidos à falésia que cai abruptamente para o mar. A estrutura, uma torre prismática quadrangular, tem uma altura de 22 metros e a luz que emana tem um alcance de quase 50 quilómetros. Raul Proença definiu bem o sentimento que ali se vive, escrevendo que "não é sem uma forte impressão que se sobe a esse mirante extremo da Europa". O Farol sofreu grandes obras e alterações já no ano de 1843.

Em 1949 foi ligado à rede de abastecimento de água pública, mas só em 1980 é que foi automatizado.

Dois anos depois foi ali instalada uma sereia eléctrica.

Nos finais do século XVIII, e pelo menos até ao início do século XIX, o Farol do Cabo da Roca comunicava com uma construção levantada no Cabeço de Oitavos, já perto de Cascais. A comunicação, por intermédio de bandeiras, destinava-se a anunciar de emergência quando se avistassem navios de mais de 3 mastros e esquadras de guerra, por questões defensivas.

Foi no Farol do Cabo da Roca que, pela primeira vez, se instalou um radiofarol, em 1937.Este destinava-se a determinar a posição de um navio, recorrendo à transmissão e recepção de ondas rádio. Hoje este sistema está ultrapassado pela utilização do GPS.

A envolvente natural, em ambiente serrano semi-selvagem, com cheiro a maresia e a flores silvestres, é um enquadramento notável. Aqui cresce uma espécie única de vegetação rasteira, a Armeria Pseusarmeria, que, com a sua brancura, se espalha pelo chão na Primavera. Mesmo ali ao lado, para quem queira fazer um pouco de exercício, fica a Praia da Ursa, sendo que a sua localização, pouco acessível, a mantém ainda longe das massas veraneantes.

À despedida, é indispensável adquirir um certificado da presença neste local, no posto de turismo ali existente.

Relembra o Cabo que "ali palpita o espírito da fé e da aventura que levou as caravelas de Portugal em busca de novos mundos para o mundo".

ROTEIROS DE PORTUGAL – IGREJA DE SÃO VICENTE DE FORA (LISBOA)

O Mosteiro de São Vicente de Fora foi, na sua estrutura primitiva, um dos primeiros monumentos cristãos em Lisboa. Foi fundado por D. Afonso Henriques após a tomada da cidade aos Mouros, na sequência de uma promessa a São Vicente em benefício da vitória. O Santo viria mesmo a tornar-se o padroeiro da cidade. O local escolhido para a construção do Mosteiro está repleto de simbolismo. Sendo um dos pontos mais altos da zona, foi daqui que os portugueses e cruzados prepararam os assaltos ao castelo muçulmano. Foi também aqui que muitos dos combatentes cristãos foram enterrados. Para este convento entraram alguns monges que tinham vindo com os cruzados, mas foram logo substituídos pelos Agostinhos que aí se mantiveram até à extinção das ordens religiosas, no século XIX. Esta casa religiosa, onde deu aulas Santo António, foi protegida por diversos reis que, ao longo da sua existência, lhe concederam privilégios.

No século XVI, com o reinado de Filipe I, quando se deu a monarquia dual, o monarca decidiu deitar por terra o edifício existente e edificar um novo, de raiz. Em 1582, dois anos após a sua subida ao trono de Portugal, começaram as obras, sendo então a casa religiosa dedicada também a São Sebastião. Pensa-se que o arquitecto responsável foi o italiano Filipe de Terzi, com base em planos do espanhol Juan de Herrera, arquitecto régio e responsável pelo Escorial, panteão dos reis de Espanha situado nos arredores de Madrid.

Monumental e simples ao mesmo tempo, o Mosteiro de São Vicente de Fora e a sua Igreja têm uma fachada sóbria, decorada por nichos e janelas, com uma larga escada de acesso. O interior do templo, é em nave única com a forma de cruz latina, conforme as regras da Contra-Reforma. No seu interior pode ver-se a capela dedicada a Santo António, com os ossos de sua mãe, bem como uma lápide de um cruzado alemão. Destaque para o coro, em pau-santo, e para a capela-mor, toda em mármore, com um magnífico conjunto estatuário. No que diz respeito à parte conventual, visitável, esta é composta por diversas salas, como os panteões da dinastia de Bragança e o dos patriarcas de Lisboa. Destaque para a vista do cimo das torres que, de um amplo terraço, permite ter uma panorâmica única sobre grande parte da cidade. De realce são também os claustros. Decorados com azulejos alusivos a cenas da corte, cenas pastoris, bem como imagens das fábulas de La Fontaine datadas do século XVIII, que são um dos grandes tesouros deste mosteiro.

Declarado Património Nacional em 1946, foi neste convento que foram encontrados os famosos Painéis de São Vicente, uma das mais célebres pinturas da Europa Quatrocentista. Expostos no Museu Nacional de Arte Antiga, foram baptizados com o nome do Santo (que neles figura), devido ao facto de o autor ser desconhecido.

Na zona do convento está, desde 1998, instalado o Patriarcado de Lisboa.

ROTEIROS DE PORTUGAL - MUSEU DA ÁGUA (LISBOA)

O Museu da Água da EPAL, em Lisboa, abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres, os Reservatórios da Mãe d’Água das Amoreiras e da Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor do Barbadinhos. A iniciativa surgiu em 1919 pela mão da CAL – Companhia das Águas de Lisboa - com o objectivo de reunir e preservar uma colecção de objectos antigos e documentação alusivos à história do abastecimento de água à cidade de Lisboa.

Em 1987, partilhando o mesmo ideal, a EPAL lançou o actual projecto, galardoado em 1990, com o prémio Museu Conselho da Europa.

A sede encontra-se na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, assim como a sala de exposição permanente onde é possível observar a evolução do abastecimento de água a Lisboa, desde o tempo dos romanos até à actualidade, através de um extenso acervo documental e de maquinaria. Além de uma vasta colecção de peças, estão também expostas fotografias, documentos e objectos vários, como os projectos de Carlos Mardel para o reservatório da Mãe d’Água e para o Aqueduto das Águas Livres ou um exemplar do contador Bastos, mais conhecido pelo "pancada", que foi usado nas casas lisboetas até à década de 60.Ainda neste núcleo está instalada 1 sala de exposições temporária, utilizada desde 1992 para exposições de artes plásticas e outros eventos de carácter cultural e social.

Em 1994, quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura, o Reservatório da Patriarcal, situado no subsolo do Jardim do Príncipe Real, foi recuperado. Construído pela 1ª Companhia das Águas entre 1856 e 1864, entretanto desactivado do serviço de abastecimento, é agora palco de exposições de artes plásticas e outros eventos. A recuperação da estrutura foi dirigida pelo arquitecto Varandas Monteiro, sendo-lhe atribuído o Prémio Municipal Eugénio dos Santos, em 1995.

O Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, concebido pelo arquitecto húngaro Carlos Mardel, ainda hoje apresenta beleza e grandiosidade, pelo que o espaço é explorado nesta sua vertente plástica e utilizado como cenário para espectáculos e exposições. Já o Aqueduto das Águas Livres, retirado do sistema de abastecimento apenas em 1967, é uma das mais notáveis obras de engenharia hidráulica europeias. Merecedor de demorados passeios quer pela sua beleza e valor histórico, quer pela vista que oferece, é alvo de vários ciclos de passeios organizados pela EPAL (desde a Mãe d’Água, nas Amoreiras, passando sobre o Vale de Alcântara, até à Nascente de Caneças).

O património do museu integra ainda o Arquivo Histórico, acervo documental e fotográfico que permite conhecer a história do abastecimento de água a Lisboa e se encontra à disposição dos investigadores interessados.