UM UNIVERSO DE SEGREDOS
A Escócia há muito que é conhecida no Mundo pelas suas lendas e contos enigmáticos. Envolvida por montanhas e salpicada de lagos, onde a força do desconhecido marca os habitantes de cada região, este é o país das sereias, dos castelos assombrados e dos monstros com quilómetros de comprimento e inúmeras cabeças. Onde quer que se vá, o mistério impera e o seu povo é cúmplice de todo esse ambiente.
Um dos maiores mistérios, mas de natureza diferente daqueles que se tem vindo a enunciar, é a criação de uma bebida cuja origem está ligada às poções terapêuticas criadas para fazer frente a várias doenças. Em tempos, houve quem associasse as suas características à longevidade humana. E por incrível que pareça ainda nada foi provado em contrário. O nome original desta bebida que remonta à cultura Celta foi Uisgue Beatha, água da vida. Depois, o tempo fez o seu papel e a expressão pela qual todos nós a conhecemos hoje em dia é Whisky.
Ao longo dos anos, os segredos do seu fabrico têm vindo a ser guardados no seio de cada família. Mais própriamente nos preciosos livros dos Master Blenders, conhecedores das mais apuradas técnicas de fabrico de Whisky e famosos pela sua perícia nas dosagens dos maltes que compõem cada blend. Estes são os guardiões de fórmulas seculares, combinações únicas de sabores, cheiros e paladares. Fechados nas suas salas de blending, desafiam o tempo e a memória dos homens na permanente recriação do Whisky perfeito.
CARL SAGAN – A COR DO SEU CÉU DEPENDE DO PLANETA ONDE HABITA.
O azul de uma manhã de Maio sem nuvens, aros vermelhos e laranja de um pôr do Sol no mar levaram os homens a maravilhar-se e a despertar para a poesia e para a ciência. Independentemente do lugar da Terra onde habitamos, da língua, costumes ou sociedade, "partilhamos o mesmo céu". A maioria de nós conta com aquele azul característico e ficaria espantado se ao despertar numa manhã encontrasse um céu preto ou verde sem nuvens.(Habitantes de Los Angeles e Denver habituaram-se a céus castanhos, e os cidadãos de Seattle e Buffalo estão há muito habituados aos cinzentos – mas mesmo eles ainda consideram o azul como norma planetária).
Contudo, existem mundos com céus pretos ou verdes, e a cor de céu caracteriza o mundo..
Deixem-me cair num planeta qualquer do sistema solar, deixem-me – sem sentir a gravidade, sem ver o solo – lançar um olhar rápido ao Sol e ao céu, e fácilmente posso dizer-vos onde me encontro. Aquele tom familiar de azul, interrompido aqui e além por flocos de nuvens brancas, é a marca do nosso mundo. Não existe em mais lado nenhum. Se alguma vez existir um verdadeiro símbolo da Terra, esta deverá ser a sua cor.
Os pássaros voam através dele, as nuvens estão aí suspensas, os homens admiram-no rotineiramente e atravessam-no quase à velocidade do som. A luz do Sol e das estrelas propaga-se através dele .Mas o que é o céu ? de que é feito ? quanto há ? donde vem todo aquele azul ? Se ele é um lugar-comum para todos os homens, se é uma coisa típica do nosso mundo, devíamos certamente saber algo sobre ele.O que é o céu ?
Em Agosto de 1957, um ser humano subiu pela primeira vez além do azul e observou em volta – quando David Simons, um oficial reformado da Força Aérea e físico, se tornou no mais alto homem na história. Ele pilotou um balão até uma altitude superior a 100.000 pés (30 Km) e através das janelas vislumbrou um céu diferente. Professor da Universidade da Escola Médica da Califórnia, em Irvine, o Dr. Simons recorda um céu escuro, de púrpura carregada. Ele alcançara a zona de transição na atmosfera onde o azul do nível do solo está a ser ultrapassado pelo negro perfeito do espaço.
Desde o quase esquecido voo de Simons, pessoas de várias nações voaram acima da atmosfera. É agora evidente pela experiência humana quotidiana e directa (e robótica) que, no espaço, o céu é negro. O Sol brilha intensamente no seu veículo espacial. A Terra abaixo de si está brilhantemente iluminada. Mas o céu em cima está escuro como a noite.
Com efeito, o céu diurno – todo aquele azul – está, de alguma forma, relacionado com o ar. Se do espaço olharmos mais de perto a Terra, vê-la-emos rodeada por uma fina tira de azul. É tão densa como a baixa atmosfera: de facto, é a baixa atmosfera. No cimo dessa tira pode ver-se o céu diluir-se na escuridão do espaço. Esta é a zona de transição onde Simons entrou.
Nós vemos o azul à luz do dia porque a luz solar se dispersa no ar à nossa volta e acima de nós. Numa noite sem nuvens e sem luar, o céu é negro porque não há fonte de luz suficientemente intensa para ser reflectida pelo ar. De alguma forma, o ar difunde preferencialmente luz azul para nós. Como ?
A luz do Sol chega em várias cores – violeta, azul, verde, amarelo, laranja, vermelho, correspondendo à luz de diferentes comprimentos de onda.(O comprimento de onda é a distância entre dois picos enquanto atravessa o ar ou o espaço).As luzes violeta e azul têm os comprimentos de onda mais curtos; as luzes laranja e vermelha têm os comprimentos de onda mais longos. A nossa percepção de cor é a forma como os nossos olhos e cérebros fazem a leitura dos comprimentos de onda de luz.(Nós poderíamos tão naturalmente ler comprimentos de onda de luz como, por exemplo, tons musicais, em vez de percepcionarmos cores, - mas não foi assim que os nossos sentidos evoluíram).
Quando todas aquelas cores do espectro do arco-íris se misturam, como na luz solar, elas parecem quase brancas. Estes diferentes comprimentos de onda atravessam juntos o espaço de 93 milhões de milhas (150 milhões de Km), que medeia o Sol e a Terra, em 8 minutos. As ondas de luz atingem a atmosfera, constituída principalmente por nitrogénio e moléculas de oxigénio. Algumas são reflectidas de novo para o espaço e outras permanecem no ar antes da luz alcançar o solo, onde podem ser detectadas pela visão humana. Este reflectir das ondas de luz na atmosfera denomina-se de "difusão" ("scattering").
Mas nem todas as ondas são igualmente difundidas pelas moléculas de ar. Os comprimentos de onda que são muito maiores do que o tamanho das moléculas são menos difundidos; os comprimentos de onda que se aproximam mais do tamanho das moléculas são mais difundidos. Pode observar-se o mesmo no movimento ondulatório da água, junto aos pilares dos molhes. Os comprimentos de onda mais curtos – os que percepcionamos como luz violeta e azul – são mais eficientemente difundidos do que os comprimentos de onda mais longos – aqueles que percepcionamos como luz laranja e vermelha. Quando olhamos para um dia sem nuvens e vemos o céu azul, testemunhamos a difusão preferencial das ondas curtas na luz solar. Isto, denomina-se "difusão de Rayleigh", nome do físico inglês que deu a primeira explicação coerente do fenómeno. O fumo dos cigarros é azul pela mesma razão: as partículas que o constituem são quase tão pequenas como o comprimento de onda da luz azul.
O vermelho do pôr do Sol é o que resta da luz solar depois de o azul ser difundido. Uma vez que a atmosfera é uma fina concha de gás que rodeia a Terra sólida, a luz solar deve passar através dela numa trajectória mais longa ao pôr do Sol (ou ao nascer do Sol) do que ao meio-dia. Dado que as ondas violetas e azuis são difundidas ainda mais eficazmente durante a sua trajectória, agora maior, através do ar, o que vemos quando olhamos em direcção ao Sol são as outras ondas de luz solar – as que são eficazmente difundidas – especialmente as laranjas e vermelhas. Um céu azul dá origem a um pôr do Sol vermelho.(O Sol ao meio-dia parece amarelado porque uma parte emite ligeiramente mais luz amarela, e em parte porque a luz azul é difundida pelos raios solares).
Afirma-se por vezes que os cientistas não são românticos, que a sua paixão pela racionalidade retira ao mundo a beleza e o mistério. Mas não é emocionante compreender como o mundo funciona verdadeiramente - que a luz branca se compõe de cores, que a cor mede ondas de luz, que o ar transparente reflecte luz fazendo a distinção entre as ondas, e que o pôr do Sol é vermelho ? O romance do pôr do Sol não é afectado por se conhecer um pouco sobre ele.
Uma vez que a maioria das moléculas simples é aproximadamente da mesma grandeza (sensivelmente uma centésima milionésima parte de uma polegada), o azul do céu terrestre não depende muito da composição do ar – desde que o ar não absorva a luz. As moléculas de oxigénio e nitrogénio não absorvem luz visível; apenas a difundem em qualquer direcção. Mas outras moléculas engolem a luz. Óxidos de nitrogénio – produzidos pelos motores dos automóveis e pelas queimas industriais – são a fonte da coloração castanho escuro do smog. Os óxidos de nitrogénio (constituídos por oxigénio e nitrogénio) absorvem realmente luz. A absorção, assim como a difusão, pode colorir um céu.
Agora examinemos rápidamente os céus diurnos de outros mundos do nosso sistema solar. O planeta Mercúrio (A Lua da Terra) e muitos outros satélites naturais que giram em torno de planetas são pequenos mundos; com pequena gravidade, eles são incapazes de reter as suas atmosferas que, pelo contrário, se perdem no espaço. Desse modo, o vácuo próximo (do espaço) está em contacto com o solo. A luz proveniente do Sol toca livremente as suas superfícies, nem difundida nem absorvida ao longo do percurso. Os seus céus são negros mesmo em pleno dia. No sistema solar, todas as luas possuem céus negros (excepto Titão de Saturno e Tritão de Neptuno, que são luas grandes, com atmosferas), assim como todos os asteróides.
Vénus tem cerca de cem vezes mais ar do que a Terra. O ar não é principalmente oxigénio e nitrogénio – é dióxido de carbono. Mas o dióxido de carbono também não absorve luz visível. Como seria o céu visto da superfície de Vénus se este não tivesse nuvens ? Com tanta atmosfera no caminho, não só as ondas azuis e violetas seriam difundidas mas também todas as outras cores – verde, amarelo, laranja, vermelho. Mas o ar é tão denso que a luz azul nunca consegue atingir o solo e regressa por sucessivos impulsos a um nível mais elevado. Assim, a luz que efectivamente atinge o solo deverá ser fortemente avermelhada, como um pôr do Sol na Terra em todo o céu. O enxofre nas nuvens altas tingirá levemente esta cor de amarelo. Análises de fotografias tiradas parecem confirmar que os céus de Vénus são laranja.
Marte é outra história. É um mundo mais pequeno do que a Terra, com uma atmosfera muito mais fina. Na realidade, a pressão à superfície de Marte é quase igual à da altitude da estratosfera terrestre que o Dr. Simons alcançou. Assim, podemos esperar que o céu marciano seja negro-púrpura. A primeira fotografia a cores de Marte foi obtida pela Viking II americana em Julho de 1976 – o primeiro veículo espacial a aterrar com sucesso, na superfície do Planeta Vermelho. Os dados digitais foram devidamente retransmitidos de Marte para a Terra, onde a fotografia foi montada por computador. Para surpresa de todos os cientistas, e só deles, a primeira fotografia divulgada revelava um céu marciano de um azul acolhedor e familiar, impossível para um planeta com uma atmosfera tão insubstancial. Algo correra mal certamente.
A imagem no seu televisor a cores é uma mistura de três imagens de uma única tonalidade, cada uma de uma cor de luz diferente – vermelho, verde e azul. Para obter a cor exacta, você ou o seu aparelho precisam de misturar ou regular estas três imagens correctamente. Se, por exemplo, aumentar a intensidade do azul, a imagem eventualmente surgirá demasiado azul. Qualquer imagem vinda do espaço requer uma regulação de cor semelhante. Por vezes é dada considerável liberdade aos analistas de computador na decisão desta regulação. Os analistas da Viking não eram astrónomos planetários, e com esta primeira imagem a cores de Marte, eles apenas misturaram as cores até parecerem "certas". Estamos tão condicionados pela nossa experiência na Terra que "certo" significa, claro, um céu azul. Cedo a cor da imagem foi rectificada – sob supervisão de James B. Pollack do Ames Research Center da NASA, utilizando padrões de calibragem de cores a bordo de um veículo espacial – e a imagem resultante não mostrava qualquer céu azul mas antes algo entre o ocre e cor-de-rosa. De novo, quase negro-púrpura.
Mas esta é a cor exacta do céu marciano. Grande parte da superfície de Marte é deserto – vermelho porque as areias são da cor da ferrugem. Ocasionalmente ocorrem violentas tempestade de areia, que levantam a grande altura finas partículas da superfície para a atmosfera. As partículas levam muito tempo a precipitarem-se, e antes de o céu limpar, ocorre nova tempestade de areia. Uma vez que as partículas cor de ferrugem estão sempre suspensas neste céu, as futuras gerações que nasçam e vivam em Marte considerarão esta cor de salmão tão natural e familiar como nós o nosso azul. (E, com um único relance para o céu talvez sejam capazes de dizer há quanto tempo ocorreu a última grande tempestade de areia).
Os planetas exteriores dos sistema solar – Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno – são de uma espécie diferente. Estes são mundos enormes, com atmosferas gigantes, constituídas sobretudo por hidrogénio e hélio. As suas superfícies estão tão no seu interior que a luz solar nem sequer lá penetra. Aqui o céu é negro mas sem qualquer de nascer do Sol – uma noite perpétuamente sem estrelas, talvez iluminada ocasionalmente pelo brilho de relâmpagos .Mas mais acima na atmosfera, onde a luz chega, espera-nos uma vista muito mais interessante. Em Júpiter, acima de uma camada de névoa de grande altitude composta por partículas geladas de amoníaco (e não de água), o céu é negro-azul. Mais abaixo, na região do céu azul, existem maravilhosas nuvens multicolores cuja composição é desconhecida.(As substâncias candidatas incluem o enxofre, o fósforo e complexas moléculas orgânicas).Ainda mais abaixo, o céu surgirá vermelho-castanho, mas estas nuvens têm espessuras variadas, e onde elas são muito finas é possível ver-se um pouco de azul. A menor altitude, ainda, alcançamos a noite perpétua. Algo semelhante sucede em Saturno, mas aí as cores são muito mais esbatidas.
Em Úrano, a luz solar (que levou quatro horas a lá chegar) atinge uma atmosfera comparativamente limpa, constituída principalmente por hidrogénio e hélio, mas também rica em metano. Longas fileiras de metano absorvem luz amarela e especialmente vermelha, e deixam filtrar as luzes verde e azul. Portanto, os céus de Úrano são azul-verde. Em Neptuno as cores devem ser semelhantes, mas mais fortes.
Actualmente é quase possível atribuir combinações de cores – baseadas nas tonalidades das nuvens e do céu – a todos os planetas do sistema solar. Talvez um dia enfeitem as bandeiras das distantes bases humanas, quando as novas fronteiras se estenderem em direcção às estrelas.
SÓ PARA APRECIADORES – PROMOÇÃO DE VERÃO
É a grande explosão dos festivais de música (?) de Norte a Sul do País.
Em claustros, ou ao ar livre, da clássica, ao "rock", do "techno" ao fado.
Faz-se qualquer "barulho", "batucada" (com mais e mais cervejas), no chão, no interior de capacetes, PIMBA ou PUMBA de todo o mundo, sem excepção.
Excelentes os resultados, a Nação em festa !
Os menos dados à "melomania (?)", vão estar em sérias dificuldades, se exceptuarmos os amantes do futebol, que sempre poderão matar saudades, com feijões ou, em Agosto, com "A Liga".
O resto é férias, repouso (se houver espaço e tempo).
RUMO À SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
(publicado na revista Diário de Notícias Ensino, em 8 de Julho de 2005)
A escola dos nossos dias, apesar de muitos defenderem que funciona como há uma centena de anos atrás, está a atravessar um momento de mudança profunda, que se vai acentuar nos próximos anos.
A Sociedade da Informação e as suas funcionalidades vieram modificar profundamente o perfil das actividades e das profissões, incluindo as denominadas profissões relacionadas com a educação e a formação.
Aquilo a que chamamos sociedade de informação é claramente identificado como uma sociedade onde o acesso à informação e ao seu tratamento se democratizou e facilitou de um modo nunca antes imaginado.
A sociedade mais global onde a Escola se integra está, também ela, cada vez mais inserida nessa envolvente que é a sociedade de informação. Pagamento de impostos, utilização do correio electrónico, pagamento de serviços, voto através da Internet, etc., são emanações visíveis dessa sociedade.
Podemos mesmo fazer uma analogia entre esta nova sociedade e um buraco negro. Sabe-se que estas entidades existentes, no Universo, sugam para o seu interior todas as formas de energia que lhes estão próximas. Assim, também a sociedade da informação vai envolvendo todas as actividades que os cidadãos desenvolvem, sejam no domínio profissional, sejam no domínio privado.
Na verdade, são hoje muito poucos os cidadãos que, na vida diária, não usam qualquer uma das funcionalidades que fazem parte do arsenal de ferramentas da sociedade de informação.
A Escola, como entidade viva que é, também não vai poder excluir-se desta nova sociedade emergente.
SOCIEDADE DO CONHECIMENTO:
A sociedade de hoje não pode ser ainda considerada como uma sociedade do conhecimento – de um modo geral é (e quando é) uma sociedade de informação. E para que esta mudança se realize, importa que os seus utentes consigam transformar a matéria prima, que são os dados e a informação disponível, em conhecimento.
Mas nem todas as pessoas são capazes de realizar esta transformação. Seja por falta de acesso, seja por incapacidade de utilização das tecnologias.
Neste contexto, o papel da Escola vai revelar-se fundamental. Na verdade, há muito que a Escola já desempenha este papel – de tratar informação e transformá-la em conhecimento. A informação era "domesticada" e retida em pequenos suportes, chamados livros e cadernos … e era transmitida no âmbito das quatro paredes da sala de aula. O próprio professor era uma importante fonte de informação.
No entanto, porque a sociedade de informação é uma realidade (e em particular a Internet), a informação extravasou definitivamente o espaço da sala de aula e é acessível por todos, a partir de quase todos os lugares.
O desafio que se coloca hoje à Escola é, assim, bem diferente do que se colocava há umas décadas atrás.
O PAPEL DA ESCOLA:
A Escola deve assumir outro tipo de intervenção e posicionar-se como factor de mudança, fundamental para o desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento.
Se a Escola conseguir acolher e desenvolver, no seu seio, os novos instrumentos e metodologias disponíveis, os alunos que deles usufruírem serão com certeza cidadãos melhor preparados para a vida.
Mas a questão que hoje se coloca é de saber como vai a Escola responder a esse desafio. A resposta deverá ser dada através de um esforço conjugado do poder político e das comunidades educativas em que a Escola se insere.
Cabe ao poder político fornecer os apoios adequados para a difusão de novas práticas e estratégias de trabalho – pedagógico, administrativo e de gestão. Mas compete, e é obrigação da Escola e da comunidade educativa local ter uma atitude pró-activa no sentido da incorporação de novas práticas conducentes à utilização criteriosa das novas ferramentas.
E nesta nova atitude da Escola – uma atitude francamente pró-activa – os professores desempenham papel crucial.
De facto, os professores de hoje, nas suas actividades diárias, desempenham tarefas de docência, de direcção de turma, de gestão de Departamento, de membros do Conselho Pedagógico, Executivo ou de Escola.
Em qualquer destas tarefas os instrumentos da sociedade de informação estão já disponíveis para facilitar as tarefas e tornar a Escola um espaço de trabalho mais produtivo.
Muitos processos burocráticos já estão informatizados – pautas de período, faltas dos alunos, pautas de exame, listagens de alunos, etc. Nalgumas escolas já se ensaiam os sumários electrónicos. A própria difusão da informação relacionada coma gestão pedagógica também pode ser realizada através de ferramentas informáticas. Muitas escolas já têm sites onde colocam a informação mais pertinente, espécie de marketing educacional interno e externo.
Mas o grande problema ainda é a utilização normal das tecnologias de informação na sala de aula, em apoio a tarefas de aprendizagem. Passar a utilizar com os alunos as ferramentas informáticas com que eles já estão estão, de algum modo, familiarizados, é o grande desafio. Os professores devem saber utilizar as ferramentas informáticas ao seu dispor e, mais do que dominá-las técnicamente, devem saber utilizá-las nos processos de aprendizagem dos seus alunos, seja no espaço escolar, seja fora dele.
É claro que as Escolas fazem parte da sociedade da informação. No entanto, há que contar com a existência de alguns constrangimentos que ainda impedem a sua implantação efectiva. Vejamos aqueles que parecem ser os mais evidentes.
A LOGÍSTICA:
A Escola de hoje e do futuro não se pode compadecer com falta de equipamento adequado. Para além disso, deverá utilizá-lo de forma racional e garantir a sua operacionalidade e substituição regular, de forma continuada.
O equipamento deverá ser uma vertente estratégica, de acordo com a tipologia de cada escola. Apesar de considerar que o equipamento não é o mais importante, nada é possível fazer sem a sua existência.
Daí que se advogue que, na Escola em geral, cada sala de Departamento tenha computador com acesso à Internet, que os Centros de recursos tenham um conjunto de computadores, também com acesso à Internet, que cada espaço laboratorial disponha de quatro ou cinco computadores e que, num futuro não muito distante, em cada escola de ensino básico e secundário seja possível criar campus virtuais, um pouco à semelhança do que acontece já nas Universidades. Creio que em alguns anos chegaremos a esse estádio de desenvolvimento.
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES:
De um modo geral, uma quantidade significativa de professores não detêm competências informáticas suficientes que lhes possibilitem a sua utilização fácil, continuada e integrada no espaço Escola, seja a que nível for (pedagógico, administrativo e de gestão.
A formação deve ser, assim, uma preocupação dos decisores políticos e das comunidades educativas – privilegiar a formação na área das TIC para todos os professores e, eventualmente, torná-la obrigatória para todos aqueles que não detêm essas competências, deve ser considerada uma opção estratégica. Mas esta formação terá de ter uma abordagem integrada – formação em TIC e para a didáctica das TIC.
Muitos professores, ainda hoje, assumem práticas lectivas excessivamente magistrais.
O trabalho com ferramentas informáticas obrigará a novas abordagens estratégicas, ainda que dos mesmos programas e currículos. E para que essa reconversão se faça, a formação pode e deve desempenhar um papel decisivo.
A LIDERANÇA NA ESCOLA:
Os aspectos de gestão são cruciais para o desenvolvimento das políticas, quaisquer que elas sejam. Apenas um forte empenhamento, de quem gere, na motivação e na clareza dos objectivos (e temos vários níveis de gestão na Escola e mais acima …) pode conduzir ao sucesso projectos de apropriação de novas ferramentas e metodologias.
Daí que seja necessário que os gestores escolares, administrativos, pedagógicos e políticos, percebam a importância estratégica de não ficar para trás neste processo. As estruturas de gestão (e também os professores) devem ser o motor do desenvolvimento da inovação nos espaços nos espaços das nossas escolas.
AS MUDANÇAS NAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS SOBRE CURRÍCULOS EXISTENTES:
Embora de forma pouco generalizada, alguns livros já incluem materiais adicionais, em suporte CD-ROM, onde se podem encontrar informações sobre sítios da Net para acesso a informação adicional e até alguns software com aplicações didácticas.
Isto significa que há que incluir nos currículos existentes componentes adicionais onde algum trabalho se possa fazer com o auxílio de ferramentas informáticas. Os ajustamentos currículares poderão até ser necessários em algumas áreas, de forma a permitir uma utilização mais rápida de novas estratégias formativas.
O planeamento pedagógico desempenha um papel crucial para a apropriação de novas formas e modelos de trabalho, não só na aula e na Escola, mas em todos os locais que possam ser considerados suas extensões. A Escola terá de ser cada vez mais um local onde existam computadores como se de cadernos e livros se tratasse, onde os quadros negros dêem lugar a quadros interactivos, onde as estratégias dos professores passem por planificações exigentes tendo em vista a definição de percursos de aprendizagem dos seus grupos, mais do que a definição de estratégias de ensino.
A sala de aula do futuro não se confinará às suas paredes nem a um horário. A aprendizagem acontecerá também na sala de aula, no centro de recursos, em casa, na biblioteca municipal … onde quer que existam facilidades de consulta e acesso à informação.
O professor terá mesmo de mudar os seus paradigmas … o professor que vai "dar" aulas deverá ser substituído pelo professor que vai "ajudar" os seus alunos a aprender … os planos de ensino deverão ser substituídos por planos de aprendizagem …
Naturalmente que muitos pensarão que, para se chegar ao que foi dito antes, outros problemas terão de ser resolvidos. Salas sem aquecimento, falta de dinheiro para fotocópias, professores que mudam todos os anos de escola e experiências promissoras que desaparecem.
É verdade, e por isso se fala em gestão política destes processos e no empenhamento de todos os actores para que não seja por falta de condições (logísticas ou de formação de actores), que não tenhamos nas nossas escolas as caminhadas (lentas ou rápidas) que nos levem de uma Sociedade da Informação para uma Sociedade do Conhecimento.
Esta caminhada não pode ser um processo em que apenas avance uma das suas várias vertentes. A caminhada terá de ser feita de forma integrada e coerente. Apenas dessa maneira poderemos ter uma Escola em que o sucesso, a eficácia e a qualidade sejam bem mais significativos que hoje.
Provavelmente , teremos de utilizar alguns "cavalos de Tróia", sediados nos centros de formação dos agrupamentos de escolas, que façam desaguar nos espaços educativos os verdadeiros agentes da mudança – os professores inovadores.