JOGOS MUNDIAIS

No Diário de Notícias de 8 de Julho de 2005, pudemos ler o seguinte:

Sapadores vencem Super-Bombeiros

O Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa ganhou a prova de Super-Bombeiro dos Jogos Mundiais de Polícias e Bombeiros que decorreu no Quebéc (Canadá) .Durante os dez dias de competição dos World Police & Fire Games, Portugal conquistou 20 medalhas de ouro, 8 de prata e 5 de bronze. Os 25 elementos da Polícia Municipal e os 15 do RSB competiram com mais de 11 mil representantes de sessenta países.

Nem tudo vai mal no nosso País … ou somos acudidos (e bem) pelos nossos polícias e pelos nossos bombeiros.

 

O HERMAN DE ANTIGAMENTE

(publicado no Diário de Notícias de 8 de Julho de 2005)

Propriedades: comentado

Numa entrevista, Herman José reconheceu que tem cedido a alguma "facilidade" (DN, 4 de Julho). Creio que é uma 

novidade (?).

Geralmente, o padrão tinha sido este: toda a gente chocada com a decadência do humorista e o humorista olimpicamente ignorando as críticas, que atribuía a invejosos e frustrados.

Para quem cresceu com Herman, o seu percurso descendente (nestes anos que leva o Herman SIC) é penoso. Quem tem a memória de O Tal Canal e Hermanias e tudo o que veio depois (incluindo a anárquica Roda da Sorte e a sofisticada Enciclopédia) só pode ficar triste com o freak show actual. Cantores pimba, socialities imbecis, meninos e meninos que se despem, malucos de manicómio explorados para gáudio da plateia, músicos e actores apoucados em entrevistas mal conduzidas e apartes grosseiros. Entre as pessoas que conheço, práticamente ninguém assiste ao programa. E práticamente toda a gente (?) admira imenso o Herman de antigamente.

Herman revolucionou (!) o humor luso herdeiro dos trocadilhos revisteiros das anedotas de caserna. É infinitamente mais talentoso que os outros humoristas da sua geração e que quase todos os humoristas mais novos. Mas Herman não mudou apenas a televisão: também mudou o humor tout court." …

"Conheço várias pessoas que trabalham com Herman, e todos me contam histórias sobre a sua inteligência (?), a sua capacidade de fazer brilhar mesmo um texto mediano, de criar um sketch a partir de um adereço, de improvisar de modo fabuloso, de apanhar tendências e ideias e as reconverter para seu uso. Nunca duvidei do talento de Herman. Mas percebi (percebemos) que Herman se cansou, que tinha demasiados triunfos e concorrência nenhuma, que preferiu conquistar públicos novos em vez de manter os que sempre teve. Que entrou em piloto (parafuso ?) automático e fez cedências desgraçadas. Agora que o próprio (piloto ?) reconheceu isso, talvez perceba enfim que existe uma geração (?) que o admirava (?) e que esse sentimento não está morto mas apenas adormecido (?????)".

Meu Deus, e por favor meus senhores, entoe-se A Portuguesa, dêem-se dois coices no telhado.

 

A MANIA DE SER MANEQUIM

É a crise na escola e no emprego, o efeito sedutor dos media e, quem sabe, o facto de a(o)s jovens portugueses estarem mais bonita(o)s.

Muitos são apoiados em sonhos pelos pais e mandados às entrevistas, castings de televisão pelas mães, alguns conseguem o que querem, (sorrisos e abraços), a grande maioria fica pelo caminho (baba e ranho).

Com tamanha maré de feição começaram a nascer (já há mais de uma década) escolas de manequins em cada esquina e nem têm de se aborrecer com investimentos em publicidade.

A cada programa de televisão mostrando a rica vidinha daquela manequim, a cada anúncio pontuado pelos olhos azuis de outro manequim, de cada vez que uma nova revista oportunista lança o tapete, "se queres ser tu também, anda daí", lá caminha mais uma fornada de fregueses, para todos os gostos e para toda a obra.

 

OS CAVALOS E EU

Por António Lobo Antunes (publicado na revista mensal Grande Reportagem em Junho de 1992)

Não gosto de cavalos. Acho que comecei a não gostar de cavalos quando aos quatro anos de idade, a família, indecisa no que concerne as minhas capacidades intelectuais (indecisão que se tem mantido ao longo dos anos), começou a servir-se deles para tentar perceber se eu era burro através de perguntas perversas feitas com um sorriso ingénuo ("Qual é a cor do cavalo branco de Napoleão ?") ou capcioso ("Qual é a pata direita do cavalo de D. José ?"), questões acintosas que provocavam em mim o desejo natural de assassinar a parentela com a pistola de água de que me servia, à época(antes de me oferecerem uma arma a sério a fim de matar os pretos maus em África), para molhar o pessoal menor, o qual, para grande espanto meu, em vez de tombar redondo no tapete corria a queixar-se à minha mãe da maldade do menino.(Aliás, nunca entendi a insólita aversão dos meus pais em relação a criações tão felizes e úteis como pistolas de água, cornetas de plástico, estalinhos, bichas de rabiar e garrafinhas de mau cheiro). Ao entrar para a escola, o professor, que era careca e de patilhas e fumava Três Vintes (classificação que jamais obtive em longos e torturados séculos de escolaridade), chamava-me ao quadro a recitar os afluentes da margem esquerda do Tejo, o ramal da Beira Baixa ou as serras do sistema galaico-duriense, tratando-me por "cavalgadura" com um carinho pedagógico que ainda hoje recordo com enternecidas lágrimas de saudade. As notas que carregava para casa faziam com que o meu pai observasse, num tom soturno, que eu "andava de cavalo para burro".

Portanto o meu ódio a esses horríveis animais ia crescendo com o tempo até atingir o paroxismo na época fatídica em que o meu avô decidiu começar a levar os netos, aos domingos de manhã, ao regimento de Cavalaria 7, para lições de volteio.

Ofereceu-me umas luvas e umas calças de montar, que me aparentavam à larva de um palhaço rico, ainda longe do insecto perfeito de concertina, cara enfarinhada e sobrancelha ao alto, e entrou comigo, que mal dormira na véspera, ocupado a compor um desses sonetos ao Cristo no Calvário que a minha avó me pagava em guarda-chuvas de chocolate (também continuo sem entender como pode haver adultos insensíveis aos guarda-chuvas de chocolate, que constituem, na minha opinião, juntamente com as pastilhas de mentol e os fados do Max, uma das invenções fulcrais do nosso tempo), entrou comigo, dizia, sonolento e rameloso, numa espécie de sala enorme, com chão de areia, onde um tenente-coronel de óculos e chicote me colocou, em equilíbrio instável, no topo de um bicho nefando, que me observava não com as pupilas mas com o branco do olho, como os deputados se observam uns aos outros durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado.

Uma vez este vosso criado em cima, o animal desatou imediatamente a trotar em círculo e eu a gritar de desconforto lá no alto, sacudido de um lado para outro e de cima para baixo conforme me sucederia se me obrigassem a descer a Calçada de Carriche num automóvel com os quatro pneus vazios.

O meu avô, do outro lado de uma espécie, aumentava o meu trémulo ego com elogios do tipo "Nunca vi ninguém tão pouco elegante a cavalo", "Endireita-te azelha" ou "És mais saloio a montar do que um polícia", encorajamentos sem dúvida estimulantes para um Bufalo Bill em botão, que iniciava o seu tirocínio para proezas de rodeo.

Durante meses e meses trotei e galopei enganchado numa criatura esquisita, perigosa nas duas pontas e desconfortável no meio, que defecava cones fumegantes com uma simplicidade que em quatro décadas de vida, uma educação no mínimo esquisita jamais me consentiu, e durante meses e meses suportei concursos hípicos dominicais, a ver senhores de jaqueta pularem cancelas e muros de tijolo a toques eclesiásticos de sino.

Logo a seguir cresci, passei a andar de eléctrico sózinho, o meu avô desistiu de fazer de mim um herói hípico e concentrou as suas esperanças no desejo desmedido e ardente de que, pelo menos, eu não tivesse tantas negativas nos exercícios escritos do liceu.

De forma que passei a encontrar os cavalos apenas em casa dos meus amigos, nas gravuras inglesas com esquadria de mogno, fitando-me, não com a pupila mas com o branco do olho, à espera que eu entre na moldura para desatarem a trotar à roda, à roda, comigo, vestido de palhaço rico, em desequilíbrio no selim.

 

CAMINHOS – DISNEYLÂNDIA

Juan Ponce de Léon procurava a "fonte da juventude eterna" mas só acabou por descobrir a Florida. Walt Disney apareceu no Sunshine State, Peninsula State ou Everglade State muito depois.

"Isto é porreiro. Compra !", a história reza que foi mais ou menos assim que tudo começou em 1965 quando Walt sobrevoava um pinhal com lago à volta (mais tarde, a famosa Discovery Island, um imenso jardim zoológico) algures a sudoeste de Orlando.

Comprou a terra – uns míseros 180 dólares por acre – sem divulgar a sua identidade. Menos de 48 horas depois da compra dos 28 000 acres, os terrenos adjacentes passaram a custar 80 000 dólares por acre … e ainda ninguém acreditava verdadeiramente no Walt.

O homem – que as más línguas do costume dizem estar hoje congelado – era então um ás … do fracasso.

Fez de tudo. Distribuiu jornais, estudou arte. E burlou GI americanos com capacetes supostamente alemães e Croix de Guerre pintadas à mão. A sua primeira actividade artística.

Depois do Armistício começou a trabalhar em animação mas o negócio não dava sequer para pagar umas meias solas. Em 1923, tinha então ele 21 anos, foi para Hollywood. Inventou o Rato Mickey (num comboio) entre Nova Iorque e Los Angeles.

E foi um sucesso.

A organização Disney era um negócio familiar. Os quatro irmãos de Walt acabaram por se instalar na Califórnia mas apenas um aceitou entrar no jogo – da finança. Walt ficou, obviamente, com o pelouro da criatividade. Uma separação de poderes que continuou mesmo após a morte de walt em 1966 e de Roy em 1971.

Walt Disney cedo entendeu a importância de controlar os seus produtos. Disney World era – depois da Disneylândia – o seu segundo projecto importante. Daí que tudo tenha feito para evitar erros passados: o parque nasceu a 25 quilómetros da cidade mais próxima para evitar dependências.

E de facto conseguiu criar um monumento enorme para o rato de celulóide. Disney World recebe anualmente milhões de turistas, oferece milhares de empregos (mais de três dezenas de milhares) e dá largos milhões de dólares de lucro.

Chegar ao Disney World é fácil: Estrada 4 a partir de Orlando – a cidade mais próxima. Tampa, Daytona e Cabo Canaveral ficam cada uma a aproximadamente 60 quilómetros.

O estacionamento paga-se. O bilhete de um dia dá direito a entrada em todos os stands. E há centenas deles, dispersos pelos vários centros: Reino Mágico, Estúdios e Epcot.

O Tio Patinhas que está na Caixa é simpático mas sobretudo eficaz. A fluidez do maralhal é uma realidade que surpreende qualquer lisboeta.

E para quem estiver farto de caminhar, há barcos, comboios e carrinhos. É uma permanente viagem no tempo – A especialidade de Disney.

Castelos, ruelas do passado, cow-boys, índios, carripanas e barcos a vapor mas também viagens (algumas deliciosamente assustadoras) até Marte ou até Amanhã.

É tudo uma questão de definir como única fronteira o sonho, porque do resto trata a organização …

 

O HOMEM QUE PROTEGIA A TERRA

Eugene Shoemaker, o astrónomo que, com sua mulher Carolyn, detinha o recorde mundial da descoberta de cometas, morreu em 1997, na Austrália, vítima de um acidente de viação. Como disse o seu amigo Richard Preston, que escrevera sobre a vida do casal em First Light, "Gene morreu de botas calçadas, no coração vermelho da Austrália, um homem em movimento, à procura de crateras, com a mente viva e interrogando até ao fim a Natureza".

Geólogo e astrónomo, Shoemaker protagoniza uma das aventuras intelectuais mais fascinantes deste século, a da descoberta do papel que as colisões de corpos celestes tiveram na formação dos planetas. Nascido em 1928, em Los Angeles, Eugene Shoemaker licenciou-se em Geologia no célebre Caltech, com 19 anos de idade, e doutorou-se em Princeton.

O trabalho de doutoramento de Eugene Shoemaker desvendou a origem da grande cratera do Arizona e explicou como diversos aspectos da sua estrutura eram explicados pelo choque violento de um caído do espaço.

Geólogo por formação, Shoemaker tornar-se-ia astrónomo de profissão, tendo sido um dos criadores da moderna astronomia planetária, mais particularmente da geologia planetária, isto é, do estudo da natureza, forma e origem dos materiais que compõem os planetas.

Os estudos de Shoemaker sobre a cratera do Arizona e a sua posterior descoberta de que a Bacia de Ries, na Alemanha, é uma estrutura de impacto de um corpo extraterrestre, iniciaram uma era nova na investigação da história geológica terrestre e no estudo dos planetas e satélites. Foram os trabalhos de Eugene Shoemaker que permitiram o estabelecimento de uma cronologia lunar, datando as crateras e outras características morfológicas do nosso satélite. O administrador da NASA, Daniel Goldin, em elogio póstumo, afirmou que "o seu trabalho na história dos impactos de meteoros e no papel que eles têm na evolução do sistema solar são marcos na História da Astronomia".

Ao longo da sua vida, Shoemaker esteve envolvido em centenas de projectos importantes, tais como as missões lunares Surveyor e Apolo, os trabalhos da NASA para o levantamento dos objectos celestes que se aproximam da Terra, a missão lunar Clementina e muitos outros empreendimentos. Mas o projecto a que Shoemaker dedicou a vida foi o da pesquisa dos cometas e asteróides que constituem um perigo potencial para a Terra.

Em 1973, o casal Shoemaker iniciou o programa de levantamento de asteróides e cometas do observatório de Monte Palomar. À equipa veio depois juntar-se David Levy. Graças a novos meios fotográficos desenvolvidos pelos Shoemaker, os três haveriam de descobrir 32 cometas e 1125 asteróides. É um recorde mundial absoluto.

A mais famosa descoberta dos três astrónomos foi feita na noite de 23 de Março de 1993, quando fotografaram uma porção do céu que continha um pequeno risco. O famoso "risco" não podia ser uma estrela nem um planeta, mas também não parecia um cometa. Quando foram feitas observações mais minuciosas veio a verificar-se que se tratava de pedaços de um cometa, cometa que veio a chamar-se Shoemaker-Levy 9. Os cálculos retrospectivos da órbita desse rasto de destroços tornaram claro que o cometa tinha passado a cerca de 25 mil quilómetros de Júpiter, em Julho de 1992, e que a força gravitacional do planeta gigante o tinha partido em pedaços. Os cálculos da órbita futura mostraram que o cometa iria destroçar-se sobre Júpiter em Julho de 1994.Eugene Shoemaker previu que o impacto seria tremendo e visível da Terra. A maioria dos astrónomos duvidou que objectos comparativamente tão pequenos pudessem produzir impactos visíveis na superfície do planeta gigante. Na realidade, os fragmentos do cometa, que teriam, quando muito, uma ou duas dezenas de quilómetros de diâmetro, não eram mais do que mosquitos comparados com o gigantesco Júpiter, com 142 mil quilómetros de diâmetro. Se Júpiter fosse um rinoceronte com cinco metros de comprido, os fragmentos não passariam de pequeníssimos mosquitos com um milímetro de comprimento !

A 16 de Julho de 1994, astrónomos de todo o mundo testemunharam pela primeira vez na história um impacto interplanetário. Centenas de observatórios e inúmeros observadores vieram a verificar com os seus próprios olhos que Eugene Shoemaker estava certo. Os minúsculos fragmentos do cometa provocaram marcas visíveis, mesmo usando telescópios amadores, marcas que um ano depois ainda eram visíveis. Os mosquitos conseguiram marcar profundamente o rinoceronte, o que apenas testemunha a tremenda velocidade e poder do impacto.

Shoemaker passou grande parte da sua vida a defender vibrantemente a teoria de que os choques interplanetários não eram fenómeno do passado remoto do sistema solar e que, mais tarde ou mais cedo, a Terra iria voltar a sofrer uma colisão catastrófica. Segundo o astrónomo, é necessário organizar um levantamento sistemático utilizando telescópios e recursos de todo o mundo, assim como é necessário pensar em sistemas de prevenção. O choque do cometa Shoemaker-Levy sobre Júpiter deu maior credibilidade a essa teoria, e as perspectivas de criação de tal programa são hoje mais optimistas.

O físico Edward Teller, um dos principais criadores da bomba de hidrogénio, propôs que tal programa de detecção de ameaças interplanetárias fosse munido de um sistema de mísseis de defesa equipados com bombas termonucleares. Dessa forma, os mísseis seriam capazes de pulverizar ou de deflectir para o espaço objectos em órbita de colisão com a Terra. Tal proposta, que teve a oposição de muitos cientistas, nunca chegou a ser adoptada. As probabilidades de colisão são pequenas, mas as consequências podem ser catastróficas.

Eugene Shoemaker legou-nos esse alerta.

 

QUE TAL COMEÇAR POR SI ?

Separar o LIXO é indispensável.

Alguém tem que o fazer.

Todos os dias, todos nós produzimos toneladas e toneladas de lixo.

Todo este lixo tem que ser separado, para que possa ser recuperado e reciclado.

Coloque regularmente o papel e o cartão usado no PAPELÃO, as garrafas de vidro no VIDRÃO e outros materiais nos recipientes específicos que estejam disponíveis na sua zona.

Apenas o restante lixo é que deve ir, num saco bem fechado, para dentro do CONTENTOR.

Ah ! e, por favor, não se esqueça de reduzir o volume do lixo, amachucando as embalagens …

A sua acção é indispensável para a REDUÇÃO, RECUPERAÇÃO e RECICLAGEM do lixo.

Separar é participar.

Participar é sensibilizar.