A BELA ASSOMBRADA

 

Escrevo alucinado,

desenfreado, em correria.

Sou cavaleiro andante,

eterno, distante,

saltimbanco, cegueta,

pior do que as cobras,

malvado leão.

Mas depois de rever,

o verbo ver,

com imagens e tudo,

percebo e patenteio,

que é conforme a verdade

só o que os olhos vêem.

A verdade dá cartas largas,

uma qualidade

que é igual a tal verbo.

Tem caracterização de coisa,

tem motivo,

tem razão,

tem mistérios,

homicídios a meio do mês.

Há um adversário,

a oportunidade opaca,

que quase logo a seguir,

ou imediatamente,

mente e desmente,

numa obsessão fremente,

em ânsias que geram dó.