GONGO
Falo das feridas, da morte, do sofrimento atroz,
da invenção.
Falo do lindo, do horrendo, das sombras, da imolação,
da raiva.
Falo da destruição, da perseguição, do prazer,
do medo.
Falo das palavras, dos sentidos, da alegria,
da loucura.
Falo dos lugares, das aves, do Céu,
da Terra.
Falo do silêncio, do tacto, do amor,
do ódio.
Falo da memória profana que viola
um olhar imaculado
Falo do vazio que caminha na rua, onde alguém
nunca escreveu
Falo da poesia escrita a centímetro, a metro, da radiestesia.
Falo da verdade que me resta.
Já nada existe e rasgo o tempo.
Falo de Deus, das mãos, do que há para contar.
Falo enquanto durarem as palavras.
Há verdades difíceis de aceitar e uma luz que
nunca morre.