O PONTEIRO ANALÓGICO
As lutas que travo e,
os esforços que faço,
para resgatar os meus sonhos.
Em cada coisa, existe um mistério licencioso,
uma peta.
Unto de narcisos, o verniz de momento,
no momento próprio.
Presumo um arvoredo,
demarcado por meninos de coro,
ventríloquos aferrados a ideias ociosas.
Numa oficina-auto, ato em molhos,
diamantes em fogo,
vestidos às três pancadas.
Falo atrevidamente, vendo rogos.
Esfregado, mimado, teço calúnias.
Sempre usei um ponteiro,
para decalcar os cachimbos dos selvagens.
Tenho uma vela, tenho uma candeia.
Em cada operação de câmbio,
sou ladrão por arrombamento,
facção sem residência fixa.
Proíbo a entrada, a eventuais,
inconsistentes, contos de fadas.
Escarneço de consternações, constrições,
apertos, constringências.
Contamino cínicamente,
os homens sem considerações.
Represento os meus argumentos,
com energia, vigor, eficácia,
envaginando plateias,
como um navio perseguido.
Envasilho os eus, até à melancolia,
nu de inventar loucuras,
noites e dias que possam sobrar,
das horas de abandono que vivo por aqui,
com a semeadura insinuante,
do repouso concedido, pretextado.
Delicado repentista.
Analógicamente, prevalecem,
a poesia das pinturas obscenas,
primordialmente primitivas e a
petulância das sociedades científicas,
de nobre carácter,
puristas de linguagem.
É vitória, convir,
dar ocasião favorável,
à minha amiguinha agradável,
de borrar a omeleta mal passada,
contar disparates,
dizer tolices,
devagarinho, cansar-se para nada.
Desvendo, por entre deambulações,
como tirar a mordaça enigmática
e pôr a data,
dançarino dantesco, recém-chegado,
na 11ª lage, enfeudada,
paga com evasivas promessas,
de uma herança, insolvível,
desmedidamente devastada,
desde há muito tempo.