OS DESTINOS
Destroçado pelo espólio devastado,
pelos bárbaros perseguido sem descanso,
ensaco os derradeiros tesouros,
unânimes na tristeza da partida,
um túmulo solene,
no calor da areia branca,
onde vagueio.
No leito de sete livros, sete estátuas,
sete quadros,
sonho, despedaçado pela irascibilidade,
incessantemente transmitida,
um S.O.S. primitivo,
desenfeitado, armadilhado,
como a mordedura de um cão.
Deixar de falar, desarvorar.
Ouço-te murar, emparedar
as minhas vias inequívocas, amargas,
de quem joga por tabela, umas vezes,
outras vezes, em linha recta,
escarnecido de acreditar
nas coisas ditas absurdas.
Intrigantes, os meus treze destinos,
perdem-se na bruma nevoenta,
da sopa aguada, da poesia
de rimas forçadas.
Como uma trégua, resta-me
o lado escuro da Lua,
pejado de ferros, âncoras, jogos de azar,
intermitente, intermediária consolação.