DOS DÁCIOS AOS MAGIARES

 

A TRANSILVÂNIA

A região denominada Transilvânia é habitada desde o Neolítico. Ao longo dos séculos foi percorrida pelos Ilírios, Trácios, Citas e Celtas. Mas foram os Dácios, vindos mais tarde, que constituiram um grande reino, num território que hoje faz parte da Roménia.

No primeiro século da nossa era, Trajano converteu esse reino numa província do seu Império, a que deu o nome de Dácia Superior. Depois, com as invasões bárbaras chegaram à região, sucessivamente, os Hunos, Ostrogodos, Gépidas, Lombardos e Avaros. Ficaram na região pequenas comunidades tribais que lutaram entre si, até que os Húngaros impuseram a sua lei.

A Transilvânia passou então a ser parte do reino da Hungria, com o estatuto de província. O Rei Coloman criou, no século XI, o cargo de "Voivoda", a fim de aperfeiçoar a administração húngara. No século XV, os "Voivodas" conseguiram tornar-se independentes, quando a Hungria foi invadida pelo Império Otomano. A pequena nobreza da Transilvânia escolheu para seu rei o "Voivoda" Johan Szapolyai, enquanto que a alta nobreza preferiu o alemão Fernando de Habsburgo, soberano da Boémia.

Desencadeou-se a guerra pelo trono, que Szapolyai venceu, com a ajuda turca, tornando a Transilvânia verdadeiramente independente, embora sob suserania formal do Império Otomano, situação que se manteve até ao século XVII. Neste período, registaram-se novos confrontos na região, a propósito da questão religiosa que opunha a maioria protestante à minoria católica, apoiada pelos Habsgurgos.

Pelo Tratado de Zsivotorok, de 1605, os Turcos renunciaram às pretensões que alimentavam sobre a Hungria e a Transilvânia. Mas esta passou a depender da Hungria, até que François Rackozi reconquistou a independência do principado, em 1704, sendo eleito príncipe. O seu reino chegou a ser reconhecido pelos soberanos russo e espanhol e sueco, mas Rackozi não foi capaz de defender a independência.

Após a conferência austro-húngara de 1867, a Transilvânia perdeu as suas tradições institucionais, sendo submetida a uma política de assimilação, contra a vontade das minorias romena e alemã. Desaparecido o Império Austro-Húngaro, depois da Primeira Grande Guerra, foi proclamada a sua união à Roménia, reconhecida pelo Tratado de Trianon, em 1920.

Em 1940, a Alemanha e a Itália restituíram à Hungria, pela arbitragem de Viena, a Transilvânia Setentrional e Ocidental. A decisão, porém, não agradou aos romenos, que pelo tratado de paz de 1947 viram ser-lhes restituída, finalmente, a totalidade da Transilvânia. Em 1952, o governo comunista de Ceausescu, correspondendo aos desejos da minoria húngara, transformou-a em região autónoma, expropriando as terras da minoria alemã.

O seu nome tornou-se conhecido em todo o Mundo, graças aos filmes de Drácula, que a associam a altas montanhas, mistérios e terror.

São mitos.

Na fronteira dos montes Cárpatos, a Transilvânia é uma das mais bonitas regiões da Europa Central.

Os húngaros chamam-lhe Erdely.

Os romenos dão-lhe dois nomes: Ardeal e Transilvânia. Fica no centro da Roménia. É uma região com vales, montes e planaltos, com cerca de seis milhões de habitantes, entre os quais se contam húngaros, alemães, alguns polacos e romenos.

As festas, danças e outros costumes são marcas culturais da minoria húngara da Transilvânia, o grupo que melhor soube manter os seus hábitos na região.

As principais ocupações são tradicionais. Os planaltos produzem frutas e cereais. As montanhas com mais de mil metros de altitude são pasto de rebanhos de cabras.

Apesar de ter sido uma região sob disputa e de ter mudado de mãos muitas vezes ao longo dos séculos, a identidade cultural da Transilvânia manteve-se. As mudanças políticas e de fronteiras não conseguiram tirar a cor própria aos costumes.

É uma terra de agricultores. Cerca de 80 por cento dos habitantes são camponeses, que ainda utilizam os mesmos métodos de há séculos. Aliás, muito nem sequer têm condições para comprar ou alugar máquinas, devido aos preços elevados. Foices e arados manuais ainda são os instrumentos utilizados.

O APEGO ÀS TRADIÇÕES

As alternativas ao trabalho no campo só se encontram nas cidades, que em regra ficam a horas de viagem das pequenas aldeias. Em Lazarea existe gás de cozinha e aquecimento, que são luxos a que poucos têm acesso. Crianças ciganas vendem o pão nas ruas.

Os ciganos constituem um dos grupos étnicos mais apegados às suas tradições. Semi-nómadas, passam grande parte do ano em acampamentos móveis e só no Inverno retornam às suas casas. Uma das principais ocupações dos ciganos da Transilvânia é a produção artesanal de panelas e chaleiras, que está a desaparecer em toda a Europa.

As tradições húngaras estão omnipresentes. As casas de madeira são disso exemplo, tal como a música, que vive do som dos violinos. Sandor Fedor, conhecido por Netti, é o mais conhecido intérprete do folclore. Na poesia salienta-se Erdet Erzgebet, cujas obras de sabor popular traduzem a melancolia local. Trocar roupas no dia do casamento é outro costume húngaro.

Ghimes, nome da região de acesso mais difícil, no alto das montanhas, é o lugar onde as tradições permanecem mais vivas, designadamente na música e na dança, como o csango.

Também os pequenos grupos étnicos de polacos e alemães guardaram os seus costumes. Cada grupo orgulha-se da sua cozinha, da sua música e da sua dança, que cultiva nas festas típicas.

Nas encostas existem centenas de igrejas, de três cultos: ortodoxo, católico-romano e protestante. Um dos mais belos templos da Transilvânia é o de Toplita, construído em madeira, no século XVIII. Há também uma pequena comunidade judaica na região.

A preocupação de manter as tradições é comungada pelas várias comunidades, especialmente a música e a dança. Na tanz haz – casa da dança – praticam-se as danças populares. Há tanz haz espalhadas por toda a Transilvânia.