PLENITUDE
Se tudo tivesse um fim,
chegaria lá num momento.
Se tudo fosse infinito,
viveria eternamente.
Se tudo fosse azul,
eu seria céu.
Se tudo fosse branco,
eu seria virtude.
Se o Sol se extinguisse,
eu ficaria com a noite.
Se uma estrela me visitasse,
pedir-lhe-ia um canto dentro dela.
Se ganhasse asas,
voaria para sempre.
Se tudo me rejeitasse,
renasceria.
Se construísse uma arca,
guardaria nela o meu fulgor.
Se me perdesse,
encontrar-me-ia.
Tudo existe agora,
em plenitude,
cintilante, acolhedor.
A quietude sem fim,
a mansidão sem fim,
a paz sem fim.
Eu e o meu desejo sem fim,
de cerrar os olhos
e vogar, vogar,
sem sensações, sem ideias, sem peso,
solto, oco, vazio.
Se tudo fosse assim,
que mundo ardente,
cegaria os meus olhos no horizonte
e nunca mais acordava.