MARLENE DIETRICH
(publicado em 23 de Maio de 1992, na Revista de informação semanal Sábado)
Marlene Dietrich morreu no passado dia 6, com 90 anos de idade. Deixou uma herança rica em testemunhos cinematográficos mas também recheada de histórias curiosas. Nos anos 50, tive a particular felicidade de a ter entrevistado. Fomos apresentados por um amigo comum e, julgando eu que facilitava a nossa aproximação, decidi falar-lhe em alemão. Ela deitou-me um olhar gelado e retorquiu, também em alemão: "Já não falo alemão e, mesmo que o fizesse, nunca seria consigo, porque não o conheço". A seguir, levantou-se rápidamente e desapareceu. Algumas semanas mais tarde surgiu nova oportunidade de a entrevistar, desta vez em inglês. Dietrich estava de excelente disposição, embora muito reservada em relação a questões pessoais. A certa altura, talvez um quarto de hora após termos principiado a nossa conversa, levanta a mão e diz: fico cansada de falar sobre mim durante tanto tempo, e desaparece novamente. Encontrei Marlene Dietrich em várias outras ocasiões e, uma vez, apontou para mim e disse: Ah, é você. Temos de terminar a nossa entrevista. Acabámos por nunca o fazer.
Ao longo da sua carreira, muitos foram os casos amorosos na vida de Marlene Dietrich. A lista, que as más-línguas de Hollywood faziam aumentar constantemente, incluía nomes famosos do espectáculo e das artes e letras da época. Mas nenhuma dessas figuras masculinas chegou a admitir publicamente que tinha tido algum envolvimento romântico com a actriz. Um dos homens que se apaixonaram por Marlene foi Joe Pasternak, famoso produtor da MGM, que assediava constantemente a actriz. Um dia, durante a Segunda Guerra Mundial, Marlene respondeu-lhe que dormiria com ele quando Hitler estivesse morto. Em Maio de 1945, depois do suicídio do Fuhrer, Pasternak procurou Marlene e convidou-a para um romântico jantar. A esta proposta, a actriz respondeu: "Você está enganado. Hitler está vivo e encontra-se na Argentina, junto com outros criminosos nazis".