O PRIMEIRO EU
Ferir não é renegar.
Falar é preservar a virgindade vulnerável,
meu parceiro.
Arquitectam um muro,
entre a alma branca e o vício,
como uma arena de antibiótico amador.
O leque agita o ar,
com um sopro tranquilo,
claridade opaca de um ninho de abelhas,
tremido de aborrecer.
Lendas, relíquias ardentes.
Um homem não chora.
O agora é agora,
fronteira entre nascido e emprestado.
As caixas de benzer surpresas,
transbordam
tesouros de gratificação.
No calor do templo, aclamo,
biologias de encadernação,
censuras de violoncelo,
clãs de cereja.
Acolho, envelopes de amabilidades,
arrepios de entusiasmo,
sacos de viagem.
Refugio-me, aí, sempre,
enquanto lá fora, tudo continua,
no mesmo turbilhão de muitas vidas:
as mesmas emoções
as mesmas disputas
as mesmas intrigas
as mesmas comédias.
Entre eu e eu, escolho eu,
que quero ser duro:
gozar como quero
sofrer como quero
desdenhar como quero
punir como quero.