PASSO A PASSO

 

Tremo no meio da neve

luto nas vertentes rochosas

sobrevivo na cadeia do tempo.

 

Nos lugares assombrados

acossado pelas feras

cumpro a minha função de guardião.

 

No país dos demónios

o génio monta o seu corcel rutilante

vive exilado da cidade santa.

 

No vale do ciúme, invisível

o Sol, fogo que preside à vida,

envolve-se cambaleante, saciado, indolente.

 

Na estátua imperfeita

gravei os meus passos perdidos

e a noite nunca mais foi a mesma.