SÓ UM SENTIDO
Dentro destas sólidas muralhas,
meu cubo branco,
coexistem a pureza e
a inocência.
Como amo,
caminhar assim,
em ângulo recto,
meu ego jogando sereno,
com uma bola às cores,
obediente,
como um cão manso,
abraçando uma onda,
que espuma na praia,
a vontade já submetida.
Fora de ti, meu santuário,
há um acaso,
que me faz olhar,
em cada rosto,
um mundo.
Em cada ser,
indistinto,
confusão.
Vultos,
pés, mãos,
preces.
Sombras.
Os olhos, cegos.
Rola massa,
mole, disforme,
abismo, cascata,
vala, barranco.
No meu recanto,
só de mim,
tenho compaixão.
Tu, Solidão,
sim és minha amante.