SONHO REVELADO
Viajei na caverna do tempo
onde o tecto dista quilómetros.
Nuvem que flutua no nada,
embaraçada falésia de exclusão.
Um moinho de vento tem, pernas
e bico, sapos e cágados.
Flamejante,
a visão dos cavaleiros enfurecidos,
o ferro sedento de razão.
Os peixes vermelhos
devoram os gigantes pré-históricos.
Atroz, a música empolgante,
o solo juncado de amanhãs.
Uma parede com desenhos de aranhas
e a roupa rasgada pelo chão.
Estranha procissão numa vereda.
Serra do Cão Dourado.
Quadra de Natal.
Na mata o homem disfarça-se de Diabo.
O bailado gestual das bruxas,
intriga, mas tem solução.
Cerra os olhos ...
Antiga manhã, laranja, verde,
barroco, azul e cravos.