ZOOM
Poço, precipício, início.
Dois mais dois são quatro, sem variação.
Habitualmente, a dois mais dois,
serem cinco,
ninguém acha mal.
Não rejeitam as igualdades,
ou alguns erros e, senão,
porque mera razão ?
Tem um apanágio de afrodisíaco,
de viagem ao estrangeiro.
De máscara negra ritual,
de fuga.
De só chover quando chove,
de leviandade.
Por hipótese, serei um mineiro,
a escorar tectos, até à Eternidade,
ou serei como Deus, observando,
como sucedem as estações do ano,
sempre iguais, mas sempre belas.
Quando o vento sopra,
sobre as copas das árvores,
afagando os seus ais e os
seus lamentos.
Quando o canto das aves,
ensurdece o céu pleno,
quando os dias já não têm fim.
Quando a existência deixou de arder
em chamas vivas.
Quando encho o peito de ar,
para preencher um ângulo vão,
em vão, despedaço,
aritméticas, geometrias,
horizontes reais e virtuais,
em que o igual é sempre igual,
ou sofismável.
Ilibado, despido, limitado.
Primaveras sensuais,
resgatadas a invisíveis e intocáveis
dogmas de cartola,
viscosas,
como as normas infantis,
de um restaurante de luxo,
são as portas derradeiras,
para a fuga,
das engenhosas mentiras,
onde se acorrentam tansos e palermas.
Escoando luz,
está a próxima morada,
vestíbulo, onde, sequioso,
alucino com avareza,
a desenfreada correria,
dos clarões das fórmulas amadas,
onde retalhei os fantasmas dos espiões
e os corpos dos traidores.